#futebolrc

    ...
... ... ... ... ...

Notícias

Rádios
Rádios
Rádios
Rádios
» » » A morte do Futebol Brasileiro

Por Gustavo Maciel

Eu sei que o título é forte, mas infelizmente já passamos da fase do sinal amarelo, com o alerta ligado. Já viramos a chave; e acendemos o sinal vermelho, e faz tempo! Infelizmente o futebol nacional está em óbito! Não, eu não digo isso por conta do fatídico 7x1 de quase um ano atrás (apesar desse já ter sido um sinal bem óbvio), e sim de dois acontecimentos recentes do nosso futebol.

Há algumas semanas eu discutia com alguns amigos sobre a decadência do nosso futebol. Evidentemente, fui acusado de ser antipatriota; entre outras ofensas ufanistas que sempre acontecem quando criticamos qualquer coisa no/do Brasil. Afinal de contas, “ainda temos muitos craques no futebol mundial, somos os melhores, somos pentacampeões”. Tentei me expressar melhor, alegando não que pretendia falar mal de nossos jogadores, mas sim dos nossos times, federações, confederação e campeonatos. Apesar de que, nossos jogadores também não são mais lá essas coisas.

Convenhamos, há pouquíssimo tempo, tínhamos os melhores jogadores do mundo. Entre os anos de 1994 e 2007, os brasileiros receberam oito prêmios de melhor jogador do mundo da FIFA. Isso mesmo: oito premiações em quatorze anos, com cinco jogadores diferentes (Romário, Ronaldo, Rivaldo, Ronaldinho e Kaká). Mas nos últimos sete anos, os brasileiros não chegaram nem perto do prêmio, o Brasil não teve sequer representantes entre os três primeiros colocados. Mesmo com toda a imprensa brasileira querendo enfiar goela abaixo que Neymar está no mesmo nível de Cristiano Ronaldo e Messi (antes que chovam críticas, acho Neymar um “craque”, mas ainda está muito longe do patamar de Cristiano Ronaldo e Messi).

Se essa alegação não foi suficiente, desafio qualquer um a me dizer qual brasileiro é protagonista hoje de um grande clube do futebol internacional? Ora, nem o próprio Neymar , “a menina dos olhos” do futebol brasileiro consegue ser o destaque do seu time, o Barcelona. Hoje temos um português como principal jogador do Real Madrid; um Argentino tomando as rédeas não somente do Barcelona, mas também das duas equipes de Manchester; um sueco como destaque do PSG, um belga no Chelsea, um francês na Juventus, um holandês no Bayern e pasmem; até mesmo um chileno é destaque de uma grande equipe, o Arsenal! Mas brasileiro, infelizmente não temos mais.

Há pouquíssimo tempo atrás, Kaká reinava absoluto no ainda poderoso Milan. Adriano era o imperador da Inter de Milão, Ronaldinho o grande talento do Barcelona, e Ronaldo conseguia ser a maior estrela da constelação galáctica do Real Madrid. Se viajarmos ainda um pouco mais atrás no tempo, Raí mandava e desmandava no Paris Saint-Germain, Romário não tinha concorrentes no mesmo Barcelona de Ronaldinho, e até mesmo Élber, era quem dava as cartas no soberano Bayern de Munique. 

Hoje não estamos nem perto de ver isso acontecer novamente.
Mesmo assim, não estou colocando em cheque a qualidade dos jogadores brasileiros, mas sim a estrutura do futebol nacional. As provas capitais da decadência do futebol no Brasil aconteceram essa semana: a primeira é a despedida do lateral Léo Moura do Flamengo, rumo ao futebol estadunidense, a outra é a convocação de Diego Tardelli para a Seleção Brasileira. Mas vamos dissecar melhor essa teoria.

Léo Moura chegou ao Flamengo em 2005, e em quase dez anos de clube conquistou nove títulos pelo time da Gávea. Dentre os títulos estão: um Campeonato Brasileiro e duas Copas do Brasil. Era o jogador de linha com maior longevidade num clube brasileiro, atingindo marca de 519 jogos com a camisa do rubro-negro carioca. Léo Moura foi o sétimo jogador que mais vestiu as cores do clube em toda a história. Não dá pra negar que ele é o ídolo da nação rubro-negra.

No entanto, o Flamengo perdeu o jogador para um clube dos Estados Unidos. Nada contra o futebol norte-americano, que em minha opinião é o que mais cresce no mundo. Afinal, os times de lá contrataram jogadores com passagens em grandes clubes, e tais atletas ainda podem render bastante. Entretanto, os mesmos já estão em fase final de carreira, como por exemplo, Kaká, David Villa, Frank Lampard, Sebastian Giovinco. Isso sem contar os que passaram por lá recentemente, como Thierry Henry, David Beckham e o goleiro Júlio César.

Por mais que esses jogadores não tenham o mesmo rendimento de outrora, acho inadmissível um clube brasileiro deixar um grande ídolo de sua história sair dessa forma para um clube de divisão inferior dos EUA. 

Léo Moura, por exemplo, é um caso típico de jogador que deveria se aposentar dentro do clube. Obviamente que existe a questão financeira; além do lateral flamenguista não ter mais a mesma qualidade de outrora. Por isso mesmo, não há condições de se pagar o salário que ele recebia antes.

Entretanto, sempre há uma maneira de negociar. Tenho absoluta certeza que Léo e Flamengo poderiam chegar a um acordo que agradasse a ambos. De qualquer forma, perder o ídolo para a “segunda divisão” do futebol estadunidense nada mais é do que assinar o próprio atestado de incompetência. Será que o Flamengo, um dos maiores times de futebol do mundo, não conseguiria ao menos igualar a proposta do recém-criado Lauderdale Strikers? Um clube com menos tempo de existência, que o tempo de carreira de Léo Moura no Flamengo.

Com relação a Diego Tardelli, o caso é ainda mais grave. Tardelli apareceu para o futebol como uma grande promessa em 2004 no São Paulo, mas por problemas extracampo, nunca se firmou no tricolor paulista, sendo emprestado ano após ano. 

Tardelli só conseguiu destaque realmente no ano de 2009, quando já jogava pelo Atlético Mineiro. Suas atuações na época, renderam algumas poucas convocações para a Seleção Brasileira entre os anos de 2009 e 2010, com o técnico Dunga. 

Negociado primeiramente com o futebol russo e em seguida com o árabe, Tardelli “sumiu” do mapa do futebol, e só foi “reaparecer” ao voltar para o Galo mineiro em 2013, quando ajudou o time a conquistar a inédita taça Libertadores da América.

Após o fiasco da Copa do Mundo (o fatídico 7x1), a CBF trocou o desgastado técnico Felipão, pelo criticado Dunga, que após quatro anos convocou novamente Diego Tardelli para a Seleção. 

E com apenas um jogo disputado, e dois gols marcados contra a Argentina, Tardelli garantiu a titularidade no time de Dunga, reforçando mais uma vez a teoria da baixa qualidade dos jogadores nacionais. Afinal, um jogador de 29 anos de idade, que nunca se destacou no cenário internacional, ser titular absoluto da Seleção Brasileira, é a demonstração clara de que a concorrência não é muito grande. De qualquer forma, a boa atuação no jogo pela Seleção e as apresentações no título do Atlético MG na Copa do Brasil, quando Tardelli marcou apenas um gol, o levaram a ser negociado mais uma vez com o futebol do exterior. 

Diego agora é jogador do Shandong Luneng da China. Na última quarta-feira, Dunga convocou a Seleção Brasileira que disputará amistosos contra França e Chile, e pela primeira vez na história, um atleta do futebol chinês foi convocado para o escrete canarinho. Vi muitos tratarem isso como algo positivo, afinal “agora nossos técnicos olham o futebol não só nos grandes campeonatos europeus”. 

Mas eu entendo de outra forma, não bastasse perdemos jogadores para a segunda divisão do emergente futebol estadunidense, agora perdemos jogadores selecionáveis para o inexpressivo futebol chinês.

Até quando iremos perder jogadores de destaque sem o menor esforço para mantê-los no Brasil? O Cruzeiro, bicampeão brasileiro, perdeu numa tacada só os dois craques do time. Everton Ribeiro foi jogar no rico futebol dos Emirados Árabes Unidos, enquanto Ricardo Goulart foi outro que debandou para a China. 

Até mesmo Kaká que brilhou na campanha do vice-campeonato brasileiro de 2014, deixou o São Paulo, seu time do coração, do qual é ídolo, para jogar em um time que não existia no ano passado.

Enquanto os empresários mandarem nos times do Brasil; enquanto a CBF não der a mínima para o campeonato que organiza, tirando os principais jogadores de rodadas decisivas; enquanto as federações estaduais não abdicarem de exigir que os grandes clubes enfrentem diversas equipes de menor expressão a fim de conquistar votos; enquanto os times não souberem valorizar a sua história, seus títulos e seus ídolos; enquanto as categorias de base forem administradas por pessoas que primeiro querem saber do dinheiro que um garoto pode dar, ao invés de se importarem com o potencial técnico que esses garotos poderão apresentar; o futebol brasileiro permanecera “em óbito”.

Mas o lado bom do futebol brasileiro ter “morrido”, é que é preciso morrer para ressuscitar. Mas para ressuscitar, também é preciso ter ciência de que se está morto. Infelizmente, não sou eu quem tem que perceber isso, são algumas pessoas que parecem não dar a mínima para o futebol no Brasil, ou são cegos demais para ver que o nosso futebol glorioso ficou no passado. 

Existe uma esperança, há salvação, mas para isso a mudança tem de ser radical, e será necessário pelo menos uns dez anos para que essas mudanças (que ainda sequer começaram) possam surtir efeito. Até lá permaneceremos perdendo jogadores precocemente para campeonatos inferiores como China, Índia, Arábia, EAU, EUA, etc.... e continuaremos tendo que engolir a seco futuros 7x1 que infelizmente ainda virão.

Gustavo Maciel é formado em Educação Física, Jornalismo Esportivo e comentarista da Rede Contínua

«
Next
Postagem mais recente
»
Previous
Postagem mais antiga

Nenhum comentário:

Leave a Reply