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» » » » Muricy precisa se reinventar

Quarta-feira, finalzinho de jogo no Morumbi e o São Paulo precisava urgentemente de um gol para vencer o San Lorenzo, jogando em casa. Parida equilibrada e o relógio jogando contra. A beira do campo, vendo esse cenário preocupante, o técnico Muricy Ramalho saca Paulo Henrique Ganso, principal jogador de criação do time, para dar lugar ao menino Boschilia. Um minuto depois da alteração, Michel Bastos cabeceia e o São Paulo faz o gol que garante a vitória mais importante da temporada, até o momento.

Foi o dedo do treinador? Bestial Muricy? De jeito nenhum. Foi mero acaso. Muricy foi um “burro com sorte”. O São Paulo achou o gol depois de jogar mal a maior parte dos 89 minutos da partida até o lance salvador de Michel Bastos. Que Ganso jogou mal, não se discute. Mas é de se estranhar a substituição tardia. Naquele momento do jogo Muricy não deveria abrir mão de um jogador tecnicamente acima da média. O correto seria a saída do Lukão ou do Denilson. Nunca do Ganso.

A verdade verdadeira - já disse isso no ar durante a transmissão e repito aqui nestas linhas – é que Muricy Ramalho foi traíra com Paulo Henrique Ganso. Eu sei que o Muricy é gente boa, é um cara do bem, e tudo mais que a imprensa adora dizer para bajular o treinador tricolor, mas naquela substituição ele quis jogar nas costas do Ganso a culpa pelo fracasso do futebol apresentado pela sua equipe até aquele momento da partida. O treinador expôs seu jogador. E Paulo Henrique Ganso ouviu a maior vaia de sua curta carreira. Vaia da própria torcida, é óbvio.

Está claro que o problema do São Paulo não se resume ao Ganso. Limitando-se a citar o que acontece dentro de campo, ignorando as brigas políticas, dá pra dizer que o futuro tricolor é preocupante. O torcedor são-paulino não está nem aí se o Carlos Miguel Aidar e o Muricy Ramalho não se dão bem. O negócio é o time dentro de campo. E aí é que a coisa piora.
Contra o San Lorenzo, nós vimos o mesmo roteiro de jogo que o São Paulo apresentou contra o Corinthians por duas vezes este ano: Um São Paulo que fica com a bola, toca improdutivamente, abusa dos chuveirinhos, e quase nunca leva perigo ao gol adversário. O São Paulo venceu e não convenceu nas partidas contra o São Bento e contra a Ponte Preta atuando dessa mesma maneira.

Muricy Ramalho aparentemente repete a fórmula que levou o São Paulo ao tricampeonato Brasileiro em 2006, 2007, 2008. Pouca qualidade técnica, muita força e bola aérea. Só que hoje seu time tem potencial técnico para ser mais criativo e não tem material humano para montar uma defesa tão sólida como foi naquele triênio.

Tenho amigos e familiares que foram no jogo de quarta-feira e que acham mais irritante assistir o São Paulo de hoje jogar, do que assistir ao São Paulo que quase foi rebaixado há 18 meses atrás. É um time sem padrão. Sem alternativa. Sem ambição. O único jogador que foge um pouquinho do óbvio é o Centurion que vez ou outra arrisca um drible. A verdade é que é um tédio ver o São Paulo jogar.

E isso se reflete na arquibancada do Morumbi tão vazia. Pouco mais de 26 mil torcedores assistiram ao decisivo jogo de quarta-feira. Se tratando de São Paulo na LIBERTADORES, esse número é decepcionante. É claro que o alto preço do ingresso (R$120,00) também influencia, mas se o time dentro de campo estivesse jogando um pouquinho melhor, desse confiança ao torcedor comum e a torcida organizada, pelo menos 40 mil pessoas estariam no Morumbi.

Já falei e repito. Ganso jogou mal contra o San Lorenzo. Mereceu cada “uuuh” que ouviu do torcedor. Mas a culpa desse time preguiçoso, às vezes até insolente, é principalmente do técnico Muricy Ramalho. Já estamos quase no fim de março e ele ainda não conseguiu definir seu time titular e seu sistema de jogo favorito. Sempre escala um time novo e engessado.

Não é possível que ele não consiga montar um sistema de jogo que permita ao Ganso receber a bola na posição correta onde possa tocar a bola em diagonal, ou em profundidade. Foi irritante ver o 10 do time jogando quase como um volante, à frente apenas dos dois zagueiros e de Denilson. Com Centurion marcado de um lado, Michel Bastos marcado do outro e Luis Fabiano isolado na frente, Ganso se via obrigado a tocar de lado sempre. É irritante. Dá pra fazer melhor do que isso Muricy.

Outro aspecto que eu não entendo. Por que Luis Fabiano tem vaga cativa nesse time? O melhor momento do São Paulo nos últimos dois anos foi no meio de 2014o, com o quarteto mágico formado por Kaká, Ganso, Kardec e Pato. Viu? Não citei o Luis Fabiano. O tal do Fabuloso não se movimenta, invariavelmente está em posição de impedimento e enquanto isso o Kardec segue no banco. Dá pra entender?

Várias perguntas ainda precisam ser respondidas pelo Muricy. Por que esse time se movimenta tão pouco? Existe problema físico? Será que o jogador reflete em campo o que vê pelos corredores do clube? O técnico vai ter saco para mudar o estilo de jogo vitorioso do São Paulo? O torcedor vai abraçar este time como tanto pede o treinador? Será que o Muricy vai conseguir se reinventar em meio a tamanho desânimo que apresenta nas entrevistas coletivas? É esperar para ver. 

Fato é que o São Paulo, mesmo que aos trancos e barrancos, ganhou do San Lorenzo e muito provavelmente vai se classificar no temido grupo da morte. A gente sabe que Muricy tem elenco para fazer esse time jogar mais do que está jogando. Só não tem muito tempo. Se demorar um pouco mais para o time encaixar, quando perceber, o São Paulo já vai ter acordado do sonho do tetracampeonato da América.

Em tempo


Palmas para a presidente Dilma Rousseff. A medida provisória assinada na última quinta-feira dá esperanças em um futuro melhor para o futebol brasileiro. Que os deputados e senadores tenham o Bom Senso para manter intacto o texto da MP, com as contrapartidas pesadas em casos de calotes por partes dos clubes. O futebol brasileiro respira! Alemanha 7 x 2 Brasil.

Victor Rodriguez é narrador da Rede Contínua e escreve todas as terças e sextas-feiras para o Portal da REDE CONTÍNUA.

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