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» » » » Graças às datas!

Dia das mães, dos pais, das crianças e dos finados. Alguns que recordo.

Doze de junho, dia dos namorados.

Data na qual, pessoas que se conhecem a menos de alguns anos, podem gritar aos quatro cantos dizeres como: “Eu te amo”, “Amor da minha vida”, “Daqui até a eternidade” e tantos outros.

E são essas mesmas pessoas que, em dois, três ou quatro anos aparecem ao lado de um novo alguém proclamando novamente todas essas frases.

Resumem essa fase como: “Amar enquanto durar”, uma das frases mais imbecis de todos os tempos nas últimas semanas, que ouço e leio de tantos transeuntes.

Que amor é esse? Onde já se viu um amor de três, quatro ou seis meses? Ou você vai me dizer que “Romeu e Julieta, de Shakespeare” era um livro sobre amor?

Nietzsche resume esse meu comentário desta maneira:
 “O que se pode prometer:

 Pode-se prometer atos, mas não sentimentos; pois estes são involuntários. Quem promete a alguém amá-lo sempre, ou sempre odiá-lo ou ser-lhe sempre fiel, promete algo que não está em seu poder; no entanto, pode prometer aqueles atos que normalmente são consequência do amor, do ódio, da fidelidade, mas também podem nascer de outros motivos: pois caminhos e motivos diversos conduzem a um ato. A promessa de sempre amar alguém significa, portanto; enquanto eu te amar, demonstrarei com atos o meu amor; se eu não mais te amar, continuarei praticando esses mesmos atos, ainda que por outros motivos: de modo que na cabeça de nosso semelhante permanece a ilusão de que o amor é imutável e sempre o mesmo. – Portanto, prometemos a continuidade da aparência do amor quando, sem cegar a nós mesmos, juramos a alguém amor eterno.”.

Impressiona-me também a maneira da qual precisamos de datas que nos lembrem ao pé do ouvido: “Olha, hoje é dia de ser feliz, comemore o dia dos namorados”, “Veja, hoje é dia das mães, comemore”, “Atenção! Já chegou o natal, não esqueça-te dos moradores de rua”.

Quem realmente se dedica ao semelhante, seja ele namorado, amigo ou irmão, se doa diariamente e não precisa de datas e lojas que vendem presentinhos de fundo de quintais para se alembrar do sentimento.

O AMOR de verdade floresce sem que saibamos ou que precisemos saber. Simplesmente cuidamos daquele sentimento como um instinto.

Mas, graças às datas nós nos lembramos de que é dia de praticar o amor, afinal, já que todo mundo do "insta" 'tá' praticando mesmo, sou só mais um.

Fecho essa postagem com uma passagem de Oscar Wilde, escritor irlandês que viveu, realmente, todos os seus prazeres de forma intensa o máximo que pôde:

“(...)Ora, o próprio amor é uma simples questão de fisiologia. Não tem nada a ver com a nossa própria vontade. Os jovens desejam ser fiéis e não são; os velhos desejam ser infiéis e não podem: é tudo o que podemos dizer(...)”.

Em uma palestra de Leandro Karnal, ouvi e guardarei para sempre: “A consciência é um peso”.

Gabriel Dias é locutor e escreve para o Portal da REDE CONTÍNUA.

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