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» » » » » Oswaldo de Oliveira caiu e nós também temos culpa

O Palmeiras confirmou na tarde desta terça-feira a demissão do técnico Oswaldo de Oliveira. Depois de pouco mais de seis meses de trabalho, o treinador comandou a equipe de Palestra Itália por 31 vezes, com 17 vitórias, 7 empates e 7 derrotas, conseguindo um bom aproveitamento de mais de 62%. Não considero números ruins a ponto de justificar uma demissão.

Oswaldo de Oliveira é um ótimo treinador. Estudioso, vitorioso com um caráter acima de qualquer suspeita. Fez um grande trabalho dirigindo o Corinthians e o Botafogo. Também foi bem no comando do São Paulo e do Santos. No Flamengo decepcionou, é verdade. Mas é ídolo no futebol japonês, coisa rara se tratando de um técnico brasileiro. E no Palmeiras oscilou como não deveria deixar de ser, numa equipe que está se reestruturando.

Todos sabemos que o Palmeiras vive uma fase de reformulação. O estádio é novo. O Alexandre Mattos é novo. Os jogadores são novos. Apenas o amadorismo e o pensamento retrógrado de seu presidente é velho. Digno dos tempos de Mustafá Contursi. Oswaldo trabalhou por seis meses. Ganhou clássicos fundamentais, montou uma espinha dorsal com Prass, Lucas, Victor Hugo, Gabriel, Arouca, Zé Roberto e Rafael Marques e conquistou o vice-campeonato paulista.

 É evidente que o início do Brasileirão não foi bom, com apenas uma vitória em seis jogos disputados. O time pode e deve jogar mais do que está jogando. Mas ainda era cedo para Paulo Nobre jogar no lixo o trabalho de um semestre. E agora o Palmeiras vai passar por uma nova reestruturação, com um novo projeto, filosofia, ou seja lá o que for, no meio do Brasileirão. Amadorismo total!

E nós da imprensa temos uma parcela de responsabilidade nessa demissão do Oswaldo. Até quando vamos ser comentaristas de resultados ou analistas de obras prontas? A imprensa botou Oswaldo de Oliveira num pote de azeite e jogou na frigideira. Quem acompanhou as coletivas do ex-técnico do Palmeiras sabe que em qualquer entrevista havia no mínimo dois repórteres para perguntar se o técnico se sentia ameaçado.

Sempre com classe, Oswaldo chegou até a se exaltar nos vestiários do estádio Orlando Scarpelli, no último domingo, dizendo que a imprensa era pouco criativa por repetir sempre o mesmo assunto e as mesmas perguntas (sobre a possível demissão). E ele estava coberto de razão. Não teve um único repórter lá em Santa Catarina que fizesse uma pergunta tática sobre o jogo ou inteligente sobre o projeto palmeirense. O tema dos questionamentos eram sempre os mesmos: demissão, futuro incerto, pressão.

Ora bolas, eu vou constantemente narrar jogos do Palmeiras no Allianz Parque e nunca ouvi a torcida protestar contra o treinador, nem sequer ouvi um uníssono coro de ”burro”. Até os conselheiros mais influentes não estavam pedindo a cabeça do treinador. Mas nossos colegas jornalistas fazem questão de plantar uma crise no Palmeiras a qualquer custo.

Assisto e ouço tudo quanto é programa de o futebol e presenciei diversos jornalistas dizendo que o Palmeiras não estava jogando nada, que o Oswaldo não consegue dar padrão pro time, que se continuasse jogando desse jeito o time iria brigar pra não cair, que o estádio novo pressiona os jogadores negativamente e mais e mais críticas vazias, feitas apenas pelo prazer de criticar gratuitamente.

E o mais curioso é que agora, confirmada a saída de Oswaldo, esses mesmos jornalistas se mostram indignados, dizendo que é um absurdo terminar um trabalho no meio do caminho, que o futebol brasileiro não é sério, que a culpa não é só do treinador, que Paulo Nobre e Alexandre Mattos têm muito mais culpa do que o técnico, e que Oswaldo merecia mais tempo no comando do Palmeiras e que a demissão do treinador é mais um gol da Alemanha...

E por aí vai.

Não dá pra fazer jornalismo assim. Não dá pra imaginar uma evolução do futebol como um todo com uma imprensa carniceira. Temos que evoluir. O futebol precisa de uma imprensa mais responsável. É chegada a hora de mudanças éticas de todos os lados do futebol. Inclusive na nossa área. Mas hoje o Oswaldo de Oliveira vai se deitar na cama, e com certeza vai ter uma mágoa guardada contra alguns dos nossos colegas.
Tomara que o Palmeiras se recupere, seja com o comando do interino Alberto Valentim, com o badalado Marcelo Oliveira ou com o vitorioso Cuca.

E ao Oswaldo de Oliveira desejo boa sorte no futuro, e peço desculpas em nome da classe dos jornalistas, por essa minoria da imprensa sensacionalista que ajudou a cavar o seu buraco.   


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