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» » » Que pena, Ganso!

Era uma vez um jogador de futebol. Meia armador clássico, canhoto e habilidoso, dono de passes precisos e arremates poderosos. Logo quando surgiu foi chamado de Maestro tamanha sua categoria. Demonstrava personalidade e não queria nunca deixar o campo de jogo. Sabia da sua qualidade excepcional e o quão importante era para sua equipe. E logo virou ídolo. Conquistou títulos, a idolatria do torcedor e foi convocado para a seleção de seu país ao lado de seu principal companheiro de time. Em pouco tempo na seleção, formou com seu melhor amigo uma dupla capaz de encher de esperança até o mais cético torcedor corneteiro. No auge da forma, quando atuava com a histórica camisa 10 de seu time e da sua seleção, o 

Maestro foi traído pelos ligamentos cruzados de seu joelho e esquerdo e nunca mais jogou futebol.
É óbvio que o primeiro parágrafo deste post é sobre o conto de fadas, ou melhor, sobre a carreira de Paulo Henrique Ganso. Um jogador raro, que tinha tudo para fazer história no Santos, na seleção brasileira e posteriormente no futebol Europeu, assim como foi sucedeu com seu parceiro Neymar. 

Mas infelizmente a contusão que sofreu no joelho esquerdo, naquele fatídico dia 25 de agosto de 2010, mais as sete diversas lesões que sofreu nos últimos cinco anos, fez com que acabasse a carreira deste talentoso jogador de futebol.

Estou sendo pessimista, sim assumo. Mas não tenho outra opção. Cansei de criar expectativas frustradas em relação ao futebol dele e me decepcionar no final. Eu torço muito para que ele volte a ser aquele Ganso que me enfeitiçava quando assistia aos jogos do Santos. Pra mim Ganso no auge e com saúde é muito melhor que Oscar, William, Coutinho, Douglas Costa e tantos outros jogadores que passaram pelo meio-campo da seleção brasileira.

Mas as minhas esperanças em ver Ganso voando em campo se esgotaram. Achei que a mudança de clube iria fazer bem a ele, mas não teve efeito nenhum. No São Paulo não conseguiu ser um décimo do que foi em dois anos no Santos. Taticamente ele também não evoluiu. 

Já atuou centralizado no meio-campo, já jogou com outro armador ao seu lado (Jádson, Kaká), atuou aberto pela esquerda e pela direita e até como referência no ataque, mas em nenhum momento lembrou aquele Ganso que me deixou tão saudosista.

E vale lembrar que Ganso trabalhou com técnicos de diversos estilos na sua carreira e nenhum deles conseguiu resgatar o futebol esplêndido que apresentava antes da contusão. Nem Mano Menezes na seleção brasileira, muito menos Adilson Batista e Marcelo Martelotte no Santos, tão pouco Ney Franco, Paulo Autuory, Muricy Ramalho e Juan Carlos Osório no São Paulo. Nenhum deles fez Ganso evoluir.

Apenas Muricy Ramalho extraiu um pouquinho da genialidade do Ganso em remotos jogos do Campeonato Brasileiro no ano passado. Mas é claro que é muito pouco comparado ao que já vimos.

Fiquei muito triste após ver rever a imagem de Ganso saindo de campo, no último domingo e ignorando o cumprimento do técnico colombiano Osorio, e na sequência dando uma bicuda num copo d’água, em direção ao banco de reservas. A cena é triste, pois mostra um homem frustrado, que perde a razão com terceiros sendo que a culpa é dele próprio. Na verdade não fiquei triste, fiquei com dó do Ganso. 

Para manter o trocadilho do título, fiquei com pena do Ganso. E gostaria de ouvi-lo sobre o que aconteceu naquele momento. Algo me diz que, internamente, Ganso está revoltado consigo mesmo e não com o treinador. Ele deve estar louco de vontade de arrebentar no gramado, de fazer gols e dar assistências precisas, mas seu corpo não responde aos estímulos do cérebro de gênio. E aí Ganso explodiu. E foi corretamente sacado pelo técnico e vaiado pelo torcedor.


Honestamente não vejo uma solução em curto prazo pra fazer a carreira dele deslanchar. Não adianta mudar de time, de técnico, de posição, de médico. O melhor futebol de Ganso nós já vimos. Aquilo que ele mostrou no primeiro semestre de 2010, nós não vamos ver mais. Tomara que ele dê a volta por cima, assim como fez Valdívia na seleção chilena e como parece estar fazendo Alexandre Pato no próprio São Paulo. Paulo Henrique Lima tem apenas 25 anos. É muito novo. Mas seu corpo não aguenta mais. Acho que Ganso não vai mais voar. Que pena, Ganso!

Victor Rodriguez é narrador e escreve para o Portal da Rede Contínua.

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