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A rotina
por Luiz Moraes

Eu tenho um travesseiro que faz parte de mim, toda vez que deito, onde quer que eu esteja, ele está lá. Ele é pequeno, quadradinho, tenho desde criança, apesar dele não ser o mesmo. Muitas trocas houveram, mas não importa, pra mim ele é sempre um só. Seja na minha vida nômade deste ano ou quando tenho residência fixa como era até o fim do ano passado. Esse travesseiro me acompanhou de forma especial nas últimas noites, todas elas, noite sim outra também. Hoje será diferente.

Desde 6 de agosto, quase duas semanas, eu tive um ritual praticamente ininterrupto: já em casa, quando dava 10 horas da noite, saia eu de onde eu estivesse, ia até meu quarto, buscava esse travesseiro e seguia até a sala. Ligava a TV, esperava um pouco, girava por alguns canais e... hora certa! Começava! Eu lá com meu travesseiro vidrado os olhos na televisão, muitas vezes na companhia de minha mãe ou pai e juntos assistíamos o show do voleibol brasileiro de quadra na Rio 2016. Que prazer! Era o "show das poderosas" (como Rômulo Mendonça espetacularmente as apelidou nas transmissões da ESPN)! Que hora saborosíssima! A repetição com sabor de quero mais!

Mas hoje não vai ter. Hoje seria dia de jogo contra os Países Baixos, semifinal Olímpica, a 3 sets da medalha garantida, alegria, sucesso, mais uma noite na TV e... Hoje não. Não farei o meu ritual para acompanhar a seleção brasileira porque a ela não estará em quadra nesta quinta feira. A derrota para a China, de virada, com momentos de tensão e coração acelerado foi insuportavelmente dolorida. As mulheres do Brasil não tinham perdido nenhum set até então, a vitória parecia certa. 

Meu caminho quarto - travesseiro - sala - TV estava garantido a continuar, mas não foi assim. Hoje não será assim. Voltarei amanhã com a semifinal masculina do vôlei nacional contra a Rússia, mesmo ritual, porém essa noite... O travesseiro que me acompanha ficará no meu quarto, eu nem sei onde estarei esse horário. É possível que a TV passe a noite desligada. Ao me perguntar como o abatimento por aquela eliminação me atingiu tão forte a resposta, talvez, seja que além das jogadoras perderam um sonho delas - o que já serviria de tristeza minha como torcedor - me toquei, também, que eu perdi (mais cedo) parte da minha rotina. 

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