#futebolrc

    ...
... ... ... ... ...

Notícias

Rádios
Rádios
Rádios
Rádios
» » » » GRANEL (Os 25 GRANdes ELencos da história do futebol): 25 - Boca Juniors, 1998- 2003

O River Plate crecia a cada vez mais, a consolidação do Independiente era forte e até uma esporádica aparição do Vélez Sarsfield, na década de 90 ocorreu, enquanto isso o Boca Juniors vivia apenas da glória de ter a maior torcida da Argentina. Foi então que um “mago” desembarcou no clube para fazer história. Carlos Bianchi, notório jogador argentino, que tinha virado técnico e conduziu o Vélez ao caneco da Libertadores em 1994 e ao Mundial do mesmo ano. Bagagem e experiência ele tinha, além de Riquelme, Schelotto, Palermo, Battaglia, Córdoba, Samuel, Ibarra, Cagna e, depois, com Carlos Tévez, Clemente Rodríguez e Abbondanzieri. O Boca Juniors de 1998-2003 renasceu para o futebol sul-americano e mundial. O mito e a pressão do estádio La Bombonera foram reconstruídos, a camisa passou a pesar novamente e a vocação copeira ressurgiu para o terror dos adversários, sejam eles argentinos, uruguaios, chilenos e, principalmente, espanhóis, italianos e brasileiros. O Boca estava de volta. Mais forte, irresistível e letal como nunca. 
Os grandes feitos que colocaram os argentinos no topo do mundo foram os títulos de Bicampeão Mundial Interclubes (2000 e 2003), Tricampeão da Copa Libertadores da América (2000, 2001 e 2003) e Tetracampeão Argentino (1998-Apertura*, 1999-Clausura, 2000-Apertura e 2003-Apertura). *Campeão Invicto. O time base era Córdoba (Abbondanzieri); Ibarra, Bermúdez (Burdisso), Samuel (Schiavi) e Arruabarrena (Clemente Rodríguez / Matellán); Cagna (Battaglia), Serna e Basualdo (Traverso); Riquelme (Donnet); Guillermo Schelotto (Carlos Tévez) e Palermo (Delgado). Técnico: Carlos Bianchi.
No Apertura de 1998, o Boca foi campeão de maneira invicta e com uma campanha memorável: 19 jogos, 13 vitórias e 6 empates, com 45 gols marcados e 18 sofridos, melhor ataque e melhor defesa da competição. Palermo, atacante do time, atingiu a incrível marca de 20 gols, um recorde. Bianchi começava a imprimir seu estilo de jogo, com uma linha de quatro na defesa, três meio-campistas mais recuados, um maestro na frente e dois atacantes sedentos por gols. Um show. Os adversários sentiram o baque e começaram a temer o time azul e ouro de Buenos Aires. Sim, o Boca estava de volta.
O Boca repetiu a dose em 1999 e faturou mais um campeonato argentino, dessa vez o Clausura. O time fez novamente uma campanha marcante, com 13 vitórias, 5 empates e apenas uma derrota em 19 partidas, com 35 gols marcados e apenas 11 sofridos (pelo segundo ano, a melhor defesa da competição). Palermo e Riquelme foram novamente os destaques da equipe, ao anotarem 12 e 7 gols, respectivamente. Os títulos nacionais credenciaram o Boca a participar da sonhada Copa Libertadores de 2000, competição que o clube não sabia o que era vencer desde o longínquo ano de 1978.
A equipe começou sua caminhada no grupo 2, ao lado do lendário Peñarol-URU, do pequeno Blooming-BOL e da Universidad Católica-CHI. O time de Bianchi começou perdendo, por 1 a 0, na altitude da Bolívia para o Blooming, mas se redimiu e não tropeçou mais. Na sequência, vitória em casa por 2 a 1 contra a Universidad, empate sem gols com o Peñarol, no Uruguai, o troco e goleada de 6 a 1 no Blooming e vitórias pelo mesmo placar, 3 a 1, sobre a Universidad, no Chile, e sobre o Peñarol, na Bombonera. Com 13 pontos, 14 gols marcados e 5 sofridos, o time argentino se classificou na primeira posição. O Boca encarou o El Nacional, do Equador, nas oitavas de final. No primeiro jogo, empate em 0 a 0. Na volta, a Bombonera viu um jogaço e a vitória do Boca por 5 a 3. Classificado, o time teria o teste definitivo nas quartas de final: o arquirrival River Plate.
River e Boca fizeram duas partidas memoráveis na Libertadores de 2000. No primeiro jogo, no Monumental de Núñez abarrotado de gente, o River começou com tudo e abriu o placar com Ángel, aos 14´. Aos 30´, Riquelme empatou. No segundo tempo, logo com um minuto, Saviola deixou o River na frente, dando números finais ao jogo. Na volta, em La Bombonera, o River jogava pelo empate e conseguiu segurar o ímpeto do rival até os 59´do segundo tempo, quando Delgado abriu o placar para o Boca. O gol inflou ainda mais a torcida xeneize, que viu seu time massacrar o River e anotar mais dois gols com show de Riquelme, que marcou um, de pênalti, e com um gol de Palermo (que acabava de se recuperar de uma contusão) nos acréscimos: Boca 3×0 River. Na semifinal, o Boca encarou os mexicanos do América. Na primeira partida, na Argentina, vitória do Boca por 4 a 1, com gols de Arruabarrena, Barijho (2) e Marchant. Todos achavam que o Boca já estava na final, mas os mexicanos complicaram a vida dos argentinos na volta, no Estádio Azteca. Calderón (2) e Estay fizeram 3 a 0 para o América, resultado que garantia os mexicanos na decisão. Mas o Boca tinha o zagueirão Samuel, que marcou o gol salvador faltando sete minutos para o final do jogo. Mesmo com a derrota, o Boca Juniors estava de volta a uma final de Libertadores. O adversário seria o então campeão continental: o Palmeiras-BRA.
O primeiro jogo da grande final da Libertadores de 2000 foi na Bombonera. O Boca abriu o placar com o lateral Arruabarrena, aos 22´. Pouco tempo depois, Pena empatou para o Palmeiras. Na segunda etapa, novamente Arruabarrena deixou o Boca na frente, mas Euller, dois minutos depois, deu números finais ao jogo: 2 a 2. O Palmeiras escolheu o gélido Morumbi como palco da grande final da Libertadores de 2000. E escolheu muito mal. Longe de sua torcida, que no Parque Antártica ficava mais próxima e aquecia o time, como no caneco de 1999, o Palmeiras não conseguiu agredir o Boca, que teve tranquilidade para estudar o time brasileiro e não se intimidar com o fato de jogar longe de Buenos Aires. A equipe se apoiou na forte marcação no craque do Palmeiras, Alex, e da segurança do goleiro Córdoba, que pegou tudo naquele jogo. Depois de um empate sem gols, a partida foi para os pênaltis. Nas cobranças, o Boca deu show de eficiência, não deixou o goleirão Marcos aprontar de novo como havia feito contra o Corinthians, nas semis, e converteu todas as suas cobranças. Já o Palmeiras marcou duas vezes e perdeu outras duas, que ficaram nas mãos do goleiro Córdoba, que garantiu, depois de 22 anos, o título da Copa Libertadores para o Boca Juniors.
Depois da glória na América, o Boca papou mais um título em casa, o Apertura-2000. A equipe venceu 12 jogos, empatou cinco e perdeu apenas dois, com 35 gols marcados e 19 sofridos. O Boca Juniors decidiu contra o Real Madrid-ESP o título do Mundial Interclubes de 2000, no Japão.  Carlos Bianchi já não tinha algumas peças cruciais para o título da Libertadores como Arruabarrena e o zagueiro Samuel, mas mandou a campo um plantel muito forte com Córdoba; Ibarra, Bermúdez, Traverso e Matellán; Battaglia, Serna e Basualdo; Riquelme; Delgado e Palermo. Já o Real apostava no talento de Casillas, Hierro, Roberto Carlos, Makélélé, Figo, Guti e Raúl, comandados pelo futuro supercampeão com a seleção espanhola Vicente Del Bosque. Palermo abriu o marcador para o Boca aos 3´e ampliou aos 6´. Roberto Carlos diminuiu para o Real aos 12´, e foi só: Boca 2×1 Real. O Boca fazia história e conquistava seu segundo título mundial, com Palermo virando ídolo inquestionável e vencendo o prêmio de melhor jogador da competição.
Na Libertadores de 2001, onde esteve no Grupo 8, ao lado de Oriente Petrolero-BOL, Cobreloa-CHI e Deportivo Cali-COL. Diferente de 2000, o Boca fez uma campanha quase perfeita na primeira fase, com cinco vitórias e apenas uma derrota nos seis jogos. A equipe venceu os três jogos em casa: 2 a 1 no Oriente Petrolero; 2 a 1 no Deportivo Cali e 1 a 0 no Cobreloa; e venceu fora o Oriente Petrolero por 1 a 0 e o Cobreloa por 1 a 0, só perdendo para o Deportivo Cali por 3 a 0. Nas oitavas de final, o Boca eliminou o Júnior, da Colômbia, com uma vitória por 3 a 2 e um empate em 1 a 1. Nas quartas de final, Schelotto começou a brilhar ao marcar o gol da vitória fora de casa contra o Vasco-BRA e mais dois na goleada por 3 a 0 na partida de volta, na Argentina (o outro gol foi de Matellán). Nas semifinais, o destino colocou novamente o Palmeiras no caminho do Boca. E novamente as partidas foram recheadas de disputa, provocação, expulsões e muitos gols. No primeiro jogo, na Bombonera, Alex abriu o placar para o Palmeiras, aos 18´, mas Schelotto, de pênalti, deixou tudo igual aos 43´. No segundo tempo, Fábio Júnior fez 2 a 1 para o Palmeiras, mas Barijho empatou. Novamente os times ficavam em 2 a 2. Na volta, o Palmeiras não repetiu o erro do ano anterior e levou o jogo para o Palestra Itália. Mas foi o Boca quem começou assustando ao abrir 2 a 0 com menos de 20 minutos, com gols de Gaitán e Riquelme. Mas o Palmeiras, valente, arrancou o empate e o jogo ficou em 2 a 2 novamente. Com isso, adivinhe: pênaltis. De novo, Córdoba foi crucial para o Boca ao pegar dois pênaltis (de Alex e Basílio) e garantir a vitória argentina por 3 a 2. Na final, o Boca encarou o Cruz Azul, do México. No primeiro jogo, no estádio Azteca, o Boca venceu por 1 a 0 com um gol de Delgado aos 40´do segundo tempo. Na volta, o Cruz Azul jogou muito, deu um trabalho imenso ao goleirão Córdoba e conseguiu vencer por 1 a 0, gol de Palencia, aos 42´do primeiro tempo. Por mais incrível que pudesse parecer, a decisão, pelo segundo ano seguido, seria nos pênaltis. Riquelme fez o dele, Córdoba novamente fez história ao pegar um dos pênaltis dos mexicanos, contou com a sorte com uma bola na trave e um chute para fora dos rivais, e o Boca Juniors venceu por 3 a 1. Boca, pela 4ª vez em sua história, campeão da América.
No Mundial o time argentino enfrentou o Bayer e não conseguiu furar a meta do goleirão Oliver Kahn, teve Delgado expulso por simular um pênalti, e presenciou uma atuação de gala do defensor ganês Kuffour, que marcou, já na prorrogação, o gol do título mundial alemão: Bayern 1×0 Boca. Bianchi sofria o seu primeiro grande revés no comando do time argentino, que teria que esperar um pouco mais pelo tricampeonato mundial. Em 2002, Bianchi deixou o Boca por desavenças com o presidente do clube e o uruguaio Óscar Tabarez assumiu o comando da equipe. O uruguaio, porém, não repetiu o sucesso de Bianchi e não faturou nenhum título com o Boca. A equipe ficou na terceira posição do Clausura e foi vice no Apertura. Na Libertadores, o time avançou até as quartas de final, mas caiu perante um antigo carrasco: o Olimpia, do Paraguai, que seria o campeão sul-americano daquele ano. 
Bianchi voltou ao Boca em 2003 para delírio da torcida. Na Libertadores de 2003, o Boca Juniors não tinha mais o maestro Riquelme, mas ainda possuia jogadores campeões de 2001 como Ibarra, Clemente Rodríguez, Battaglia e Schelotto, além de alguns novos talentos como o goleiro Abbondanzieri, que tinha a dura missão de substituir o ídolo Córdoba, e o atacante Tévez. Na fase de grupos, a equipe não deu show, mas conseguiu a classificação para as oitavas de final com o segundo lugar do Grupo 7, ficando atrás do Independiente Medellín-COL e despachando o Barcelona-EQU e o Colo-Colo-CHI. O time argentino venceu três jogos (2 a 0 no I. Medellín-casa, 2 a 1 no Colo-Colo-fora e 2 a 1 no Barcelona-casa), empatou dois (2 a 2 com o Colo-Colo-casa e 2 a 2 com o Barcelona-fora) e perdeu apenas um jogo (1 a 0 para o I. Medellín, fora). O Boca enfrentou o surpreendente Paysandu-BRA nas oitavas de final da Libertadores de 2003. No primeiro jogo, na Bombonera o Paysandu conseguiu a façanha de vencer o time argentino por 1 a 0, num gol marcado por Iarley (que seria contratado pelo Boca ainda em 2003). Na volta, em Belém, o Boca mostrou que a derrota em casa havia sido um acidente de percurso, e goleou o Paysandu: 4 a 2, com três gols de Schelotto. A zebra estava despachada. Nas quartas, o time eliminou o Cobreloa com duas vitórias: 2 a 1 no Chile (gols de Schelotto) e 2 a 1 na Argentina (gols de Donnet e Tévez). Nas semifinais, um passeio para cima do América de Cali-COL: 2 a 0 na Bombonera (gols de Schiavi e Tévez) e 4 a 0 em pleno estádio Pascual Guerrero, em Cali (dois gols de Tévez, um de Schiavi e um de Delgado). Pela terceira vez em quatro anos, o Boca chegava a mais uma final de Libertadores. O time teria pela frente o Santos de Diego e Robinho. No primeiro jogo, em La Bombonera, o Boca não deu chances para empates ou surpresas e fez um gol em cada tempo, ambos com Delgado: 2 a 0. No Morumbi, o clube argentino voltou a derrotar o Santos, e de maneira categórica: 3 a 1, com gols de Tévez, Delgado e Schiavi. Há exatos 40 anos, o Boca vingava a derrota para o Santos na Libertadores de 1963 e conquistava seu quinto título continental. De quebra, fazia o artilheiro da competição, Delgado, com 9 gols. Bianchi entrava para a história como o técnico com o maior número de títulos da Libertadores da história com 4 taças. E o Boca virava um gigante inquestionável no futebol sul-americano, chegando ao patamar do Peñarol (também com cinco taças) e perto de alcançar o Independiente (com 7). A festa era azul e dourada no Morumbi! Depois da Libertadores, o Boca conquistou o Apertura-2003. O time teve a melhor defesa da competição com apenas 11 gols sofridos em 19 jogos, e o melhor ataque com 31 gols marcados. A equipe da capital venceu 11 jogos, empatou seis e perdeu 2. 
No Mundial Interclubes de 2003 o adversário foi o Milan-ITA de Dida, Maldini, Costacurta, Cafu, Pirlo, Gattuso, Seedorf, Kaká e Shevchenko. Uma seleção. Mas o Boca era aguerrido, “chato”, e contava com um plantel que também daria trabalho com Abbondanzieri, Schiavi, Burdisso, Cagna, Battaglia, Schelotto e Donnet. O jogo, claro, foi pegado e muito disputado, com o Milan abrindo o placar aos 23´com o dinamarquês Tomasson. O Boca não se abateu e seis minutos depois empatou com o meia Donnet: 1 a 1. O resultado persistiu e a decisão seria nos pênaltis. Novamente com estrela, o Boca contou com a frieza do goleiro Abbondanzieri, que pegou dois pênaltis, e venceu os italianos por 3 a 1. Enfim, o Boca se tornava o primeiro clube argentino tricampeão mundial.
Na Libertadores de 2004 o Boca fez uma boa campanha e chegou a quarta final em um período de cinco anos, depois de eliminar o River Plate em uma semifinal histórica, decidida nos pênaltis com vitória do Boca em pleno Monumental de Núnez. Porém, quando todos achavam que a equipe argentina ficaria com o título, a zebra colombiana de nome Once Caldas acabou com o sonho xeneixe ao derrotar os comandados de Bianchi nos pênaltis por 2 a 0, com o Boca errando todas as suas cobranças. Ali, naquela derrota, terminava a trajetória de Carlos Bianchi no comando do time de Buenos Aires. O mítico treinador partiu para a Espanha, onde comandou o Atlético de Madrid e o maior Boca de todos os tempos acabou.

«
Next
Postagem mais recente
»
Previous
Postagem mais antiga

Nenhum comentário:

Leave a Reply