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» » » » GRANEL: 1) Santos, 1960-1969

Vamos contar aqui encerrando a série dos Grandes Elencos da história do futebol mundial as conquistas do Santos de Pelé, Bicampeão Mundial Interclubes (1962 e 1963), Bicampeão da Copa Libertadores da América (1962 e 1963), Campeão da Supercopa Sul-Americana (1968), Campeão da Recopa Mundial (1968), Pentacampeão da Taça Brasil (1961, 1962, 1963, 1964 e 1965), Campeão do Torneio Roberto Gomes Pedrosa (1968), Tricampeão do Torneio Rio-São Paulo (1963, 1964 e 1966) e Octacampeão Paulista (1960, 1961, 1962, 1964, 1965, 1967, 1968 e 1969). 23 títulos em apenas uma década para Gilmar; Lima (Carlos Alberto Torres), Mauro, Calvet e Dalmo; Zito e Dorval; Mengálvio (Clodoaldo), Coutinho (Toninho Guerreiro), Pelé e Pepe (Edu). Técnicos: Lula e Antoninho.
O time brasileiro foi o maior esquadrão do mundo no século XX e encantou plateias na Vila Belmiro, no Pacaembu, no Maracanã, no San Siro, no Estádio da Luz ou até na África. O que o Santos ganhou e fez durante 10 anos nenhum outro clube conseguiu até hoje no Brasil: vencer 23 títulos, marcar uma enxurrada de gols, se exibir por todos os cantos do mundo, parar até guerras, golear sem dó qualquer adversário e ter Pelé. O rei jogou absurdamente muito por mais de uma década, fez o Santos ser conhecido por todos e virou o maior jogador do século. 
O Santos já tinha a sua espinha dorsal formada no final da década de 50. Pelé, Pepe, Coutinho, Dorval e outros já integravam o time da Vila Belmiro que venceu o Campeonato Paulista de 1958, com o menino Pelé marcando 58 gols, recorde até hoje na competição. No ano seguinte, o time venceu o Torneio Rio SP em cima do Vasco. No mesmo ano, chegou perto da conquista da cobiçada Taça Brasil, mas perdeu a final para o super Bahia daquela época em jogos alucinantes: Santos 2×3 Bahia / Bahia 0x2 Santos / Bahia 3×1 Santos.
Em 1960 o Santos continuou com seu futebol eficiente e vistoso em busca de mais. O clube venceu novamente o Campeonato Paulista, vingando a derrota no ano anterior para a academia do Palmeiras, que se mostraria ao longo da década o único time capaz de impedir um deca ou até mesmo eneacampeonato santista naquele período. O destaque ficou na reta final, quando o Santos massacrou o Corinthians por 6 a 1 e o Palmeiras por 5 a 0. O time mandava novamente no estado, o que garantia vaga na Taça Brasil de 1961. Na competição nacional, o Santos entrou nas semifinais por ser campeão estadual de São Paulo. Com esse privilégio, o time aproveitou e não tomou conhecimento do América-RJ, ao vencer dois jogos por 6 a 2 e 6 a 1 e perder um por 1 a 0. Na final, o time da Vila reencontrou o Bahia, algoz de dois anos antes. Na primeira partida, em Salvador, empate em 1 a 1. Na volta, o Pacaembu viu um show de Pelé e Coutinho, que marcaram os gols da goleada por 5 a 1 que garantiu o primeiro caneco nacional do clube, além da vaga para a Copa Libertadores da América de 1962. O peixe, em 1961, ainda venceu mais uma vez o Paulista e protagonizou um dos maiores bailes do ano no futebol nacional: fez 7 a 1 no Flamengo em pleno Maracanã pelo Torneio Rio SP, com gols de Pelé (3), Pepe (2), Coutinho e Dorval.
Campeão nacional e estadual, o Santos quis repetir tudo de novo em 1962, mas, se possível, melhorar, com a participação na Libertadores da América. O torneio era um bebê na época, já que fora criado em 1960. O incrível Peñarol, do Uruguai, era o atual bicampeão da competição e o time a ser batido naquele torneio. Os aurinegros chegaram facilmente à final. Faltava o adversário. Que seria, claro, o Santos.
O time brasileiro caiu no Grupo 1, ao lado de Cerro Porteño, do Paraguai, e Deportivo Municipal, da Bolívia. A equipe de Pelé, Pepe, Coutinho e companhia passou fácil pelos rivais, com destaque para as goleadas de 9 a 1 contra o Cerro e 6 a 1 contra o Deportivo. Depois de três vitórias e um empate, classificação assegurada para as semifinais. O adversário foi a Universidad Católica, do Chile. O primeiro jogo, em Santiago, terminou empatado em 1 a 1. Na volta, em Santos, o time da Vila venceu por um magro 1 a 0, gol de Zito, decretando a vaga na final. O Santos tinha pela frente o ótimo Peñarol em sua primeira decisão de Libertadores. Para piorar, o Santos não tinha Pelé, contundido. Mesmo assim, a equipe mostrou força no primeiro jogo, em Montevidéu, e venceu por 2 a 1, com dois gols de Coutinho. Na volta, o time aurinegro venceu por 3 a 2, mesmo com a bagunça que foi a partida disputada na Vila Belmiro, pois, após a torcida atirar uma garrafa no campo, o juiz suspendeu o jogo. Depois de mais de uma hora, a partida foi reiniciada, com o Santos marcando mais um gol. O empate dava o título ao Santos. O juiz apitou o final do jogo e a festa foi geral. Mas, dias depois, a Conmebol não acatou e forçou uma terceira partida. Esta, já com o Rei. O jogo decisivo entre Santos e Peñarol aconteceu no mês de agosto em campo neutro, na Argentina. Pelé já estava recuperado da contusão que o tirou de boa parte da Copa de 1962. E foi graças a volta do Rei que o Santos mostrou que era o melhor da América. Com dois gols de Pelé e um contra do uruguaio Caetano, a equipe colocou o Peñarol na roda e fez 3 a 0, conquistando pela primeira vez o título da Copa Libertadores. 
Antes da conquista da Libertadores, o Santos protagonizou duelos eletrizantes contra o Botafogo nas finais da Taça Brasil. Na primeira partida, no Pacaembu, deu Santos: 4 a 3, com dois gols de Pepe, um de Coutinho e um de Dorval. Pelo Botafogo, marcaram Quarentinha, Amoroso e Amarildo. No segundo jogo, no Maracanã, vitória do Fogão por 3 a 1. O jogo decisivo foi também no Maracanã e o Santos deu mais um show e venceu por 5 a 0, gols de Dorval, Pepe, Coutinho e Pelé (2). No Paulistão, tricampeonato seguido, com Pelé novamente artilheiro com 37 gols.
Depois de colecionar canecos em 1962, ainda faltava a cereja no bolo do Santos: o Mundial. Na época, o campeonato era disputado em duas partidas, uma em cada país. Se permanecesse a igualdade em pontos, não em gols, haveria uma terceira partida na casa do time que fazia o segundo jogo. Naquela decisão, Santos e Benfica iriam ver quem era o melhor time do mundo. A estrela do time de Lisboa era o “Pantera Negra” Eusébio, um monstro da bola. O primeiro jogo foi no Brasil, com o Maracanã lotado com mais de 90 mil pessoas. Não eram apenas santistas. Eram alvinegros, tricolores, rubro-negros. Ao contrário do que vemos hoje, na época, o Santos tinha a torcida de todos, afinal, era um time do Brasil em campo, e o respeito era outro. Hoje, tal fato é inimaginável. O jogo foi duro e disputado, mas o Santos venceu por 3 a 2, com gols de Pelé (2) e Coutinho, com Santana (2) descontando para o time português. O Estádio da Luz, em Lisboa, estava lotado. O peixe jogou muito, mas muito, e não deu chances ao rival em nenhum momento. Pelé fez logo dois aos 15´ e aos 25´. Coutinho fez o terceiro, Pelé fez o quarto e Pepe fechou o caixão: 5 a 0. O Benfica ainda fez dois gols, para não ficar tão feio, no final do jogo, mas era tarde: Santos 5×2 Benfica. O time brasileiro conquistava pela primeira vez em sua história o título de campeão mundial de futebol. 
Em 1963, o Santos estava no auge. Campeão de tudo no ano anterior, a equipe queria repetir a dose. E repetiu. Menos no campeonato paulista, que ficou com a Academia do Palmeiras. O Santos vacilou em muitas partidas naquele campeonato e foi prejudicado por uma contusão de Pelé, que não jogou na metade do segundo turno. Se não deu para levar o estadual, o Santos venceu o Torneio Rio SP e o tricampeonato da Taça Brasil. Na competição nacional, o time alvinegro reencontrou novamente o Bahia, repetindo a final de 1961. Dessa vez, os baianos não ofereceram resistência, e o Santos venceu fácil os dois jogos, por 6 a 0 em casa, gols de Pelé (2), Pepe (2), Coutinho e Mengálvio e por 2 a 0 em Salvador, com dois gols de Pelé. Sem rivais no Brasil, o Peixe foi em busca de mais um caneco continental.
Como campeão da Libertadores do ano anterior, o peixe teve a facilidade de entrar na competição já nas semifinais. O time fez um duelo doméstico contra o Botafogo. No primeiro jogo, em São Paulo, empate em 1 a 1. Na volta, no Rio, goleada do Santos por 4 a 0 e vaga na final. O adversário seria o Boca Juniors, da Argentina. Diferente do ano anterior, o Santos escolheu o Maracanã como sua casa para o primeiro jogo da decisão. A vitória foi por 3 a 2, com dois gols de Coutinho e um de Lima. Sanfilippo fez os dois gols do Boca. A volta seria na temida La Bombonera. O matador Sanfilippo abriu o placar para o Boca na partida de volta da final da Libertadores de 1963. O time argentino, como não poderia deixar de ser, abusou das faltas e colocou nervos no time brasileiro. Mas o esquadrão santista, no segundo tempo, tratou de pôr a bola no chão e colocar os argentinos em seu devido lugar. Coutinho empatou aos 50´ e Pelé fez o gol da virada e do título aos 82´, com muita raiva na comemoração. O Santos era bicampeão da Libertadores e repetia o feito do Peñarol, também com dois títulos continentais. Diferente de 1962, o Santos ia decidir o Mundial Interclubes de 1963 em casa. O adversário dessa vez seria o tradicional Milan, de Cesare Maldini (pai de Paolo Maldini), Trapattoni, Rivera e dos brasileiros Mazzola e Amarildo. O primeiro jogo, em Milão, teve vitória do Milan por 4 a 2. O Santos teve a perda de Pelé naquela partida, que se machucou (mesmo fazendo dois gols). Sem o Rei, o time teria que se virar no jogo (ou nos jogos) de volta com Almir Pernambuquinho. E o “Pelé branco” deu conta do recado. Com um gol dele, dois de Pepe e um de Lima, o Santos devolveu o placar aos italianos no Maracanã: 4 a 2. Haveria o terceiro jogo, também no estádio carioca. O jogo decisivo foi tenso, com muitas faltas, entradas duras e o clima de hostilidade prevalente. Mas, de novo, Almir fez a diferença. Foi ele quem sofreu o pênalti aos 29 minutos do segundo tempo, provocando a expulsão de Cesare Maldini, capitão do Milan. Dalmo bateu e fez o único gol do jogo: Santos 1×0 Milan, peixe bicampeão mundial de futebol.
Depois dos melhores anos do Santos na história, nas temporadas seguintes, o time passou a excursionar pelo mundo. Em 1964, o clube voltou a ganhar o Campeonato Paulista, com destaque para a goleada de 11 a 0 sobre o Botafogo-SP, com 8 gols de Pelé, e um 7 a 4 pra cima do Corinthians em pleno Pacaembu, em que Pelé teve de sair de campo escoltado pela polícia. O peixe também venceu o Torneio Rio SP (em título dividido com o Botafogo) e o tetracampeoanto da Taça Brasil, vencendo o Flamengo na decisão, com 4 a 1 no primeiro jogo (com show de Pelé, que fez três gols), em São Paulo, e empate sem gols no segundo. Em 1965, ocorreu o desfecho do espetacular pentacampeonato da Taça Brasil, quando o Santos bateu o Vasco na final por 5 a 1 no primeiro jogo em São Paulo e 1 a 0 no Rio. O time venceu, também, o campeonato paulista.
A partir do ano de 1966 a geração de ouro do Santos começou a perder território no Brasil. O time foi derrotado de maneira surpreendente na final da Taça Brasil pelo Cruzeiro de Tostão, Dirceu Lopes, Natal e Procópio. No primeiro jogo, o time azul venceu por absurdos 6 a 2, um massacre que terminou 5 a 0 só no primeiro tempo. No jogo de volta, o Santos perdeu de novo, dessa vez de virada por 3 a 2 em pleno Pacaembu. Para piorar, o time da Vila perdeu o campeonato paulista para o grande rival da época, o Palmeiras. A consolação foi a artilharia do campeonato, que ficou com o brilhante Toninho Guerreiro, que marcou 27 gols. O craque, depois de Coutinho, foi o maior parceiro de Pelé no Santos naquela década de 60.
O único título do peixe em 1966 foi o Torneio Rio SP, que teve de ser dividido com outros três times devido aos preparativos da seleção para a Copa do Mundo (com muitos convocados entre os clubes em questão), e pelo fato de os times não concordarem em jogar com reservas, fazendo a CBD proclamar os quatro primeiros colocados do torneio, todos com 11 pontos, como campeões. Em 1967, o Santos retomou a coroa no campeonato paulista após vencer o São Paulo no jogo desempate por 2 a 1.
Depois de dois anos magros para os padrões santistas da época, o time de Pelé resolveu voltar a brilhar em 1968. Com grandes nomes no time como Clodoaldo, Edu, Abel, Toninho Guerreiro e o futuro capitão do Tri, Carlos Alberto Torres, o Santos venceu novamente o Campeonato Paulista com 11 pontos de diferença sobre o vice-campeão Corinthians. O time também venceu a segunda edição do Torneio Roberto Gomes Pedrosa, o precursor do Campeonato Brasileiro, após vencer os três jogos do quadrangular final contra Internacional, Vasco e Palmeiras. O artilheiro da competição foi Toninho, com 18 gols. Para coroar o ano, dois títulos internacionais: a Supercopa Sul-Americana, quando o time da Vila venceu Peñarol (URU) e Racing (ARG), e a primeira edição da já extinta Recopa Intercontinental, quando o Santos viajou até Milão e derrotou a Internazionale no Estádio Giuseppe Meazza por 1 a 0, gol do matador Toninho. Como a Inter desistiu do jogo de volta (afinal, era certo que perderia…) o Santos foi o campeão. Um novo ano perfeito. O único ponto ruim daquela temporada foi a perda da invencibilidade de 11 anos para o Corinthians, que voltou a vencer o alvinegro da Vila por 2 a 0, tendo que ouvir da Fiel torcida: “Com Pelé, com Edu, nós quebramos o tabu!”.
O ano de 1969 foi histórico para o Santos. Não por conta de títulos, pois o clube venceu apenas o Campeonato Paulista, completando mais um tricampeonato, o segundo da década. O ano foi histórico porque em uma de suas excursões pelo mundo, o time de Pelé foi capaz de parar duas guerras. Isso mesmo! Em uma visita à África, o time brasileiro provocou o cessar fogo na Guerra do Congo Belga entre as forças Kinshasa e Brazzaville, para que as cidades pudessem assistir aos jogos do peixe. Outro conflito paralisado por conta do Santos foi a Guerra de Biafra, na Nigéria. Infelizmente, aquele seria o último grande feito do time dos sonhos, que veria Pelé, em 1969, marcar seu milésimo gol na carreira.
O Santos começou a perder seu encanto e força já em 1969. Com muitas dívidas devido a investimentos equivocados, como a compra do hotel Parque Balneário, que resultou em muito dinheiro perdido anos depois, o clube foi perdendo seus principais jogadores aos poucos. Viu rivais crescerem e conquistarem os títulos que eram apenas de posse do Santos, decretando o fim de um time mágico.

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