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» » » » GRANEL: 9) São Paulo, 1991-1994

A diretoria do São Paulo confiava no trabalho de Telê Santana à frente do clube, tanto é que mesmo após os vices de 89 e 90 no brasileiro manteve o treinador, algo pouco comum no futebol nacional. Com o respaldo da direção, Telê pôde arrumar de vez os erros do time nos anos anteriores e armou uma equipe vencedora. O primeiro desafio seria o brasileirão, que naquela época era disputado no início do ano. O estadual era no segundo semestre. Na primeira fase, o São Paulo liderou o campeonato, e terminou na primeira colocação, com 11 vitórias e apenas 4 derrotas em 19 jogos. Com apenas quatro equipes asseguradas na fase de mata-mata, o tricolor encarou o quarto colocado, o Atlético Mineiro. Após dois empates, 1 a 1 e 0 a 0, o time se garantiu na final por ter a melhor campanha. A decisão seria novamente contra um time paulista, o surpreendente Bragantino, de Mauro Silva e o técnico Carlos Alberto Parreira. Pela primeira vez um clube (São Paulo) chegava três vezes seguidas em uma decisão de brasileiro. E dessa vez o São Paulo mostrou força e levou o título, com vitória por 1 a 0 no primeiro jogo, gol de Mário Tilico, e empate sem gols em Bragança Paulista. Brasil tricolor. 
Depois de uma péssima campanha no estadual de 1990, o São Paulo deu a volta por cima em 1991, despachou todos os rivais que encontrou pela frente e chegou à final contra o Corinthians. No primeiro jogo, Raí mostrou que era o melhor jogador do Brasil à época, e marcou os três gols na vitória por 3 a 0. No segundo jogo, empate em 0 a 0, que garantiu o título ao tricolor. Era a revanche contra o rival que tirara o brasileiro da equipe no ano anterior. O São Paulo teve dificuldades na fase de grupos da Libertadores daquele ano. O time começou perdendo por 3 a 0 para o Criciúma, então campeão da Copa do Brasil de 1991. Em seguida, veio a vitória contra o San José da Bolívia por 3 a 0, empate contra o Bolívar (BOL) em 1 a 1, revanche e goleada contra o Criciúma por 4 a 0, empate contra o San José por 1 a 1 e vitória na partida final contra o Bolívar por 2 a 0. Nas oitavas de final, páreo duro, contra o Nacional do Uruguai. Porém, o time mostrou maturidade e venceu os dois jogos, por 1 a 0 e 2 a 0. Nas quartas, novo embate brasileiro, de novo o Criciúma. Vitória tricolor no primeiro jogo por 1 a 0 e empate no segundo em 1 a 1, garantindo a vaga da equipe paulista nas semifinais. O time enfrentaria o Barcelona do Equador, e passou fácil no primeiro jogo com um 3 a 0. Na partida seguinte, muito sufoco, e mesmo a derrota por 2 a 0 garantiu o time na final. O time de Telê e Raí enfrentou o Newell´s Old Boys, da Argentina, dono do melhor ataque da competição. O tricolor teria a vantagem de decidir em casa. No primeiro jogo, vitória argentina por 1 a 0. Na volta, o São Paulo venceu por 1 a 0, o que não foi o bastante para garantir o título no tempo normal. Decisão nos pênaltis! O São Paulo tinha bons cobradores, que deixaram os seus. Raí, Ivan e Cafu marcaram. Ronaldão perdeu. Pelo lado do Newell´s, Zamora e Llop fizeram. Porém, os erros de Berizzo, Mendoza e a derradeira cobrança de Gamboa, defendida por Zetti, deu o título ao São Paulo. O Morumbi explodiu de alegria, a multidão invadiu o gramado como nunca antes havia se visto. O campo verde do estádio ficou todo colorido em vermelho, preto e branco. Raí erguia, pela primeira vez, a América para o tricolor. 
Se no Brasileiro a equipe não conseguiu se garantir na final, no paulista o time sobrou. Líder tanto na primeira fase quanto no quadrangular final, o time foi para a final contra o Palmeiras. Houve uma polêmica quanto às partidas decisivas, pois tanto o segundo jogo da final quanto a decisão do Mundial que o São Paulo disputaria estavam marcadas para o dia 13 de dezembro. Com isso, o tricolor conseguiu adiar a partida do paulista para o dia 20 daquele mês. Mesmo assim, o primeiro jogo foi alvo de críticas do time de Telê, que teve de disputá-lo no dia 5 de dezembro, o que causaria atrasos na programação do Mundial. Porém, o São Paulo não se incomodou e goleou o rival por 4 a 2, com 3 gols de Raí e um de Cafu. 
O São Paulo desembarcou como zebra no Japão, para a disputa do título do Mundial Interclubes. Mas o que se viu foi um show de partida, sendo considerada por muitos a melhor da história do São Paulo. A equipe não se intimidou com os blaugranas da Catalunha e conseguiu impor seu jogo. Mesmo o gol inicial do time espanhol, marcado pelo goleador Stoichkov, não abalou o São Paulo, que empatou com Raí. No segundo tempo, falta para o tricolor. Raí foi pra bola e marcou um gol antológico. Era a virada, era o gol do título Mundial. O São Paulo era o melhor do mundo. No final do jogo, Cruyff, técnico do Barça, lançou uma frase lembrada até hoje pelos torcedores: “Se é para ser atropelado, que seja por uma Ferrari.”
Mas nem haveria tanto tempo para comemorar, pois ainda tinha o jogo final do paulista, contra o Palmeiras. O verdão queria carimbar a faixa do tricolor e se aproveitar do desgaste físico do rival, mas Müller e Cerezo não deixaram, e deram outra vitória ao São Paulo por 2 a 1. Bicampeonato paulista, e o encerramento de um ano perfeito com três títulos conquistados. 
Como campeão, o São Paulo entrou na Libertadores de 1993 já nas oitavas de final. Logo de cara, reencontro com os adversários da final de 1992, o Newell´s Old Boys. No primeiro jogo, na Argentina, os argentinos estavam com “sangue nos olhos” por vingança, e venceram por 2 a 0. A volta seria difícil, pois o São Paulo teria que vencer por mais de dois gols para ir às quartas de final. Mas, o que Raí e companhia não faziam, não é mesmo? O time mostrou sua força de campeão e goleou o freguês: 4 a 0. Nas quartas de final, embate brasileiro contra o então campeão brasileiro, o Flamengo. No jogo de ida, no Maracanã, empate em 1 a 1. Na volta, novo show tricolor e vitória por 2 a 0. Nas semifinais, o time venceu o Cerro Porteño, do Paraguai, por 1 a 0 em casa e segurou o empate sem gols fora, garantindo a vaga na grande final.
Diferentemente do ano anterior, o São Paulo iria decidir fora de casa o título da Libertadores de 1993. O primeiro jogo, contra o Universidad Católica, do Chile, foi num Morumbi lotado. E o São Paulo aplicou a maior goleada em uma final de Libertadores até hoje: 5 a 1. Na volta, nem a derrota por 2 a 0 impediu a festa: bicampeonato da América garantido. Esbanjando técnica no tricolor, Raí despertou o interesse dos franceses do Paris Saint-Germain, da França, e deixou o São Paulo após a conquista da América. Vieram a Recopa Sul Americana e a Supercopa da Libertadores, ambas vencidas pelo time. Em 1993, a equipe bateu recorde e disputou absurdas 97 partidas. Já conhecido em solo japonês, o São Paulo foi recebido com muita festa pela torcida local, e teria a maioria no estádio Nacional de Tóquio. O adversário seria o Milan, vice-campeão europeu, que garantiu vaga na decisão por conta de um escândalo de manipulação de resultados que envolveu o campeão europeu daquele ano, o Olympique de Marselha. Com isso, o time foi banido da disputa do mundial, abrindo caminho para o clube italiano. E o jogo foi um teste para cardíacos. Palhinha abriu o placar para o São Paulo no primeiro tempo. No segundo, Massaro empatou. Cerezo deixou o São Paulo na frente de novo, mas Papin empatou. Faltando 4 minutos para o fim do jogo, Müller fez, sem querer, o gol da vitória, gol que ele dedicou ao zagueiro italiano Costacurta, de quem “apanhou” o jogo inteiro, ao falar em bom italiano “esse é pra você, seu palhaço!”. O São Paulo era bicampeão mundial de futebol.
Insaciável, o São Paulo não cansava de vencer. A equipe ganhou o Bi da Recopa, e, com um time totalmente formado por juniores, a Copa Conmebol (substituída pela Copa Mercosul, anos depois, e pela Copa Sul Americana, nos dias de hoje) em 1994. Naquele mesmo ano, foi a primeira equipe do mundo a disputar duas partidas oficiais no mesmo dia. A “aberração” aconteceu no dia 16 de novembro, quando o São Paulo venceu o Sporting Cristal, do Peru, por 3 a 1 pela Conmebol, e depois jogou contra o Grêmio pelo Campeonato Brasileiro e venceu pelo mesmo placar. Mas, mesmo com as conquistas, o time viveu um drama sem igual na Libertadores. Depois de eliminar os adversários pelo caminho, inclusive o grande Palmeiras, o São Paulo chegou à sua terceira final seguida. O adversário seria o argentino Vélez Sarsfield, do polêmico goleiro Chilavert. O tricolor repetiu o filme de 1992 e não liquidou o jogo no tempo normal, levando a decisão para os pênaltis. Mas, dessa vez, nem Zetti conseguiu ajudar a equipe. O tricolor sucumbiu e perdeu o seu título mais ganho, em casa, para um adversário claramente inferior. Seria o início do fim de uma equipe tão acostumada às vitórias e aos títulos. O “mestre” Telê começou a sofrer com problemas de saúde, que o levariam a largar o futebol em 1996.

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