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» » » » » Canetadas: Como o "clássico das multidões" virou o "clássico que ninguém quer"


Nos passados anos 50 e 60 o Maracanã recebia públicos acima de 120 mil pessoas para Vasco x Flamengo e vice versa, com os jornais a época estampando em suas capas o glamouroso futebol de ídolos como Zagallo e as rendas que eram superiores mesmo as da Copa do Mundo de 1950. Em 2017 se olhamos as capas dos jornais temos como na edição do carioca "Extra" desta Sexta-Feira, temos a manchete de que as semifinais da Taça Guanabara a serem disputadas amanhã não são desejadas por nenhuma prefeitura, estádio ou torcida. A primeira busca por onde se realizar o clássico foi mesmo fora do estado do Rio de Janeiro, e prontamente recusada pela prefeitura de Juiz Fora, a partida se instalou na pouco procurada Volta Redonda, com média de público em 6 mil torcedores, mesmo em grandes jogos. Cerca de 500 entradas foram comercializadas até a manhã deste dia de véspera do clássico carioca.

A violência nos estádios tem proporcionado que os torcedores chamados de comuns se afastem dos jogos em que deveriam ser a mais necessária atração. Nas últimas semanas foram de clássico no Brasil foram duas mortes em dois estados. Para Botafogo x Vasco acreditava-se que um torcedor havia sido morto por um tiro, mas logo se descobriu na autópsia que ele foi assassinado na porta de um estádio por perfurações provocadas por espetos de churrasco. No Atletiba deste último domingo mais uma pessoa, torcedor do Coritiba, foi vítima desta marginalização do esporte e que desde 2011 a 2016 mataram 113 pessoas nos estádios brasileiros. A punição aos assassinos no Brasil inexiste em todas as áreas, e no futebol não vivemos em um mundo a parte, sendo que menos de 4% dos casos de mortes ou agressões envolvendo o esporte no país são investigados até o extremo. O GEPE (Grupamento Especializado de Proteção aos Estádios) no último clássico entre Botafogo x Flamengo conseguiu enviar somente 30% do seu efetivo para dar a segurança mínima ao torcedor presente, fruto da crise em outro setor civil do país, o de pagamento dos salários dos funcionários públicos.
A prevenção, em números comprovados, tem sete vezes mais eficácia no combate a violência do que a ação momentânea. As torcidas organizadas em muitos momentos são abrigos de bandidos que fazem do amor ao futebol uma máscara para esconderem o seu instinto de selvageria. A falta de capacidade dos clubes cariocas após a morte de um torcedor em juntos se manifestarem em sentimentos a família, escancara a desumanidade de se tocar por algo que não apenas os seus interesses de pelas redes sociais se ofenderem. As medidas tomadas pelas autoridades ainda são irrisórias, como nos anos 90 quando um decreto judicial determinou o fim da Mancha Verde, que se tornou a Mancha Alviverde, a Independente que após atos de violência nos estádios se tornou a Tricolor Independente, mas ambas seguir com a mesma diretoria e membros. Mais de 90% das brigas acontecem no entorno e não no interior dos estádios. A violência, em dados das autoridades envolvidas, mostra que a entrada de torcida única em clássicos no estado de São Paulo apenas aumentou a violência nos estádios e em suas imediações. Medidas como no Rio Grande do Sul podem servir de exemplo para o restante do país, onde as torcidas mistas ocupam a arquibancadas mesmo no Gre-Nal e uma própria rádio com o mesmo nome se une para levar as notícias dos clubes aos seus torcedores. Medidas de união de Atlético Paranaense e Curitiba como no último clássico entre as equipes são exemplo que poucos tiveram a coragem de fazer. Ao não entrarem em acordo com a televisão sobre a transmissão da partida ambos buscaram se unificar para levarem aos fãs as imagens do clube por internet. É recente e notório recordar exemplos vivos dados pela tragédia em La Union com a Chapecoense, onde mesmo os clubes rivais se tornaram verdes pela dor de perdas que jamais podem serem individuais. Flamengo e Vasco não podem se tornarem um exemplo de que a violência compensa. Os 500 ingressos vendidos para uma semi-final de Taça Guanabara falam muito mais do que se possa expressar em bilhetes contados, e refletem uma decadência moral de zelo pela vida humana ao longo dos anos. Mas ainda e sempre o tempo será oportuno para recomeçar a escrever a história do clássico dos milhões e de nossa própria vida.

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