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» » » » » "Enchessores Del Saco": O centenário estádio a espera do Botafogo pela Libertadores

O estádio Defensores del Chaco tem uma mistica especial e quando se fala de Libertadores o caldeirão entra em ebulição pela infiltração, história e mística que escorrem entre o concreto da velha cancha. Um dos principais palcos do futebol continental, o estádio que nesta Quarta-Feira receberá Olímpia x Botafogo pela fase que antecede a disputa de grupos da Libertadores, completa nada menos que cem anos. Neste mesmo terreno, em 1917 foi erguido o que se chamava Estadio de la Liga, já que é um dos poucos estádios de propriedade de uma associação nacional de futebol. Posteriormente levou o nome de Estadio de Puerto Sajonia, em referência ao bairro de Assunção onde está localizado, e em um súbito momento de fervor sul-americano pelo título olímpico charrúa, chegou a desafiar a geografia para ser batizado por breves momentos de Estadio Uruguay.
O estádio passou a se chamar Defensores del Chaco em 1972, fazendo referência ao dramático episódio da Guerra do Chaco, mais importante confronto bélico sul-americano do século XX. Na contenda, Paraguai e Bolívia disputaram a região do chaco boreal, território que fica entre os dois países. A história do estádio vincula-se estreitamente à rusga bélica porque serviu de local para recrutamento dos soldados paraguaios e posteriormente como cárcere para prisioneiros bolivianos. Ao final da Guerra do Chaco, o Paraguai ficou com três quartos da região, e a cancha estava praticamente destruída. Em 1998 o estádio recebeu a sua maior reforma, preparando o para ser o principal palco da Copa América do ano seguinte. Naquele gramado ancestral foram disputadas dez decisões de Copa Libertadores  diversas vezes com o tricampeão Olimpia, mas também na época em que se requisitava um campo neutro para um terceiro jogo. Em 2014 Nacional e San Lorenzo empataram em 1 a 1, primeira partida da decisão, inédita para ambos, que terminaria com o título do clube argentino. 
Um episódio que ficou conhecido como Marzo Paraguayo, em 1999 marcou a política no estádio. A tensão teve origem no assassinato do vice-presidente Luis María Argaña, evento de responsabilidade de um comando paramilitar logo vinculado pela oposição ao presidente Raúl Cubas Grau e a Lino César Oviedo, homem forte na política paraguaia. Os dias seguintes foram marcados por fortes manifestações de opositores ao governo. Justamente no dia que uma multidão protestava em frente ao congresso, estava marcado um jogo entre Olimpia e Corinthians, pela Libertadores. Indiferente a tudo que não fosse dinheiro, a Conmebol forçou a disputa da partida. Apenas 5 mil pessoas foram ao Defensores del Chaco e nenhuma rádio transmitiu a partida, já que todas as atenções estavam voltadas ao cenário político. O Olimpia saiu vencendo por 1 a 0 (perderia por 2 a 1), mas no intervalo houve um apagão no estádio, que seria comum em qualquer jogo, mas naquele dia espalhava pelo ar aquele cheiro azedo de golpe militar. Esse cenário negro bateu forte em Luis Cubilla, treinador do Olimpia, que fugiu do estádio – primeiro, alegou-se que seria por problemas médicos, mas depois se revelou que Cubilla foi para casa proteger sua família. Grande parte do pequeno público que foi ao jogo sairia do estádio diretamente para protestar em frente ao congresso. Um dos torcedores era Henry Díaz Bernal, que partiu empunhando as bandeiras do Olimpia e do Paraguai rumo à praça, onde seria assassinado com duas balas na cabeça. Outros seis manifestantes contrários ao governo foram mortos no massacre daquela noite de 26 de março de 1999. Se por motivos nobres a torcida não acorreu ao estádio naquele infame dia de um jogo que jamais deveria ter acontecido, em outro momento no qual não haveria bola rolando tivemos hinchada e oração. Em 26 de janeiro de 2010, cerca de 20 mil pessoas, a maioria com a camisa albirroja da seleção nacional, ocuparam as arquibancadas do Defensores del Chaco em vigília para apoiar Salvador Cabañas, atacante paraguaio do América do México que seguia internado em estado grave após receber um tiro na cabeça. Dizia a torcida: “Se Salvador Cabañas está jogando a partida da sua vida, nós vamos ser a torcida que lhe dá apoio".
O aproveitamento em Libertadores do Olímpia no entanto não é macisso, chegando a casa dos 60℅ e terá neste confronto com o Botafogo a oportunidade de escrever mais um capítulo na história desse místico e lendário estádio que sabe como nenhum lugar encher a bola dos adversários de gols, a começar pela arquibancada.

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