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» »Unlabelled » Número de leitores no país cresce em 2016, mas brasileiro compra menos autores nacionais

Pesquisa realizada pelo IBOPE demonstra que o percentual de leitores alçou 56% em 2015, seis pontos percentuais a mais que em 2011, data do último mapeamento no país. Mesmo com editoras investindo em reedições de livros clássicos, os autores brasileiros perdem espaço nas vendas em 2016

Segundo o IBOPE (Instituto Brasileiro de Opinião e Estatísticas), o número de leitores ativos no país subiu em 2015. O projeto Retratos da Leitura no Brasil divulgou os dados de pesquisas realizadas em todo o território nacional com mais de cinco mil entrevistados, constatando que o número de leitores cresceu de 50% para 56%, considerando dados da última pesquisa em 2011. Os pesquisadores levam em contam quem leu um livro, parcial ou totalmente, nos últimos três meses. Aqueles que não leram nenhum livro no último ano são considerados não leitores.

A pesquisa revela que a maior parcela dos entrevistados classifica a leitura como um prazer que leva ao conhecimento cultural. A Bíblia e os livros religiosos são os mais citados pelos entrevistados. O conto, categoria forte de nomes renomados da literatura, como Clarice Lispector e Rubem Fonseca, aparece apenas na terceira colocação geral. Não à toa, em agosto deste ano, a publicação de “Todos os Contos”, que reúne os escritos de Clarice, figurou entre os mais vendidos dentre a categoria Ficção, comprado por mais de cinco mil pessoas segundo mensura o site Publish News.

Mas nem tudo são rosas entre os leitores brasileiros. Poucos escritores nacionais chegam a tornar-se unanimidade como alcançou Clarice Lispector e Guimarães Rosa, e mesmo assim vendem pouco em comparação aos best-sellers internacionais, que conseguem ser mais atrativos que os próprios autores nacionais. “Como eu era antes de você” fechou o mês de agosto com cerca de 23 mil exemplares vendidos, uma diferença de 357% em relação aos números de “Todos os Contos”.

Segundo o historiador Mário Cardoso, 50, formado na Faculdade de História da Universidade de São Paulo, os jovens se interessam mais por sucessos estrangeiros quando são tomados pelo “poder do marketing e da propaganda servirem de aparato para a fidelização do público”.

Lima Barreto e Machado de Assis disseram que um escritor não deve usar de “floreios literários” para enfeitar o texto. A escrita para Lima tinha que ser simples e de fácil acesso linguístico e que não ficasse presa no “culto ao dicionário”. E é esta a linha de pensamento que segue o estudante do ensino médio Guilherme Silva, 19. Para ele, a linguagem de alguns autores é “rebuscada e com isso [é] preciso de um dicionário por perto” para compreender expressões e palavras. 

Para o historiador, a principal desculpa para os leitores não procurarem os autores nacionais ou livros em geral, gira em torno principalmente da “influência da indústria da propaganda em determinado assunto”, tornando-o sucesso instantaneamente. Entretanto, esse não é o principal desafio do mundo contemporâneo e das conexões: “O Cyber leitor está cada vez mais arredio a textos longos. Tudo é muito dinâmico. Existe a necessidade de passar rapidamente a um próximo conteúdo, aberto na aba ao lado!.”, exclama.

Essa tese corrobora com a teoria de que serão poucos os jovens que terão tempo e paciência para ler “Os três mosqueteiros” de Alexandre Dumas, com cerca de 700 páginas, preferindo muitas vezes assistir ao filme do diretor Paul W. S. que adaptou a história de D’Argatan, Porthos, Aramis e Athos.

As compras de livros nacionais são baixas, principalmente entre os jovens, segundo a livreira Danielle Helfstein, 41, para ela “o público jovem não tem preferência por literatura nacional."

Guilherme Silva, que está se preparando para as provas do ENEM e os vestibulares, aponta que um de seus autores nacionais preferidos é Lima Barreto, apesar dos livros se darem no começo do século, ele confessa não consumir o que os apelos de publicidade lhe oferecem: “Para mim é indiferente, eu normalmente leio um livro depois da indicação de alguém. Confio na capacidade intelectual de quem me indica os livros”.

O maior empecilho para a compra de livros nacionais consiste principalmente na formação dos jovens, os pais deveriam incentivar mais segundo a livreira: “Associo isso ao estimulo que nasce em casa e se estende para escola. ”

O abismo que se abre entre as vendas de livros nacionais, comparados aos estrangeiros, se reflete profundo quando analisados os dados de agosto deste ano. Dos 20 primeiros colocados na lista geral, apenas quatro postulam entre os nacionais mais vendidos, e nenhum deles é de ficção. São eles os mais bem colocados: 4º Lava Jato de Vladimir Netto; 5º e 6º, respectivamente, Ansiedade 1 e 2 de Augusto Cury; 9º Quer ser feliz? Ame e Perdoe, de autoria do Padre Alessandro Campos; Ruah do Padre Marcelo Rossi; O Poder da Ação de Paulo Vieira e fechando a lista, Felicidade ou Morte de Leandro Karnal e Clovis de Barros Filho.

O historiador Mário Cardoso ampara-se em uma reflexão profunda para entender em qual curva da estrada os jovens deixaram-se dobrar e esqueceram dos autores nacionais ou mesmo dos livros considerados clássicos: “O livro clássico muitas vezes faz uma reflexão. O ritmo do desenvolvimento da trama na maioria das vezes é mais lento do que ele está acostumado a encontrar nas páginas dos grandes sucessos da atualidade.”.
Autores nacionais tem em sua bagagem livros de calorosas páginas, muitas vezes falta fôlego para os jovens. Dom Casmurro, Triste Fim de Policarpo Quaresma, Grande Sertão Veredas, Elogio a Cegueira, O Cortiço e outros, são livros robustos e de linguagem mais descritiva, chegam a mais de 300 páginas cada livro e são poucos os jovens que se interessam por uma leitura prolongada.

Apesar de parecerem poucos, os jovens que são cativados por livros nacionais ou clássicos ainda existem, como é o caso de Pedro Marques, 16. Ainda que ele prefira as narrativas em primeira pessoa, como as de Graciliano Ramos, as páginas nunca despertaram medo ou preguiça no garoto: “No começo eu olhava aquelas páginas e achava muito chato, mas quando você abre o livro é tudo muito diferente”.

As editoras estão investindo nas reedições dos chamados clássicos, capas modernas e cores estão sendo acrescentadas aos conteúdos que já são conhecidos. Editoras como Rocco, Nova Fronteira e 34 estão repaginando os livros. Clarice e Machado de Assis foram autores que tiveram coletâneas lançadas.

OS MAIS CITADOS NA ACADEMIA:
Os mais recentes mapeamentos de dados buscando quais autores brasileiros são os mais citados entre pesquisadores e tradutores ao redor do mundo, traça dados levantados pelo Instituto Conexões Itaú Cultural, realizados pela última vez, em 2013. O projeto pesquisou 244 tradutores e pesquisadores através de um banco de dados online que projeta a literatura brasileira pelo mundo. 

Os brasileiros foram ranqueados pelo programa, e os clássicos figuram entre as primeiras colocações nas citações: Machado de Assis abre a lista com 135 menções, seguido por Clarice Lispector com 117 citações e na terceira posição Guimarães Rosa com 112 indicações. A lista englobou 20 nomes dos brasileiros mais citados, entre as seis primeiras posições ainda se encontram: Jorge Amado com 83 menções, Carlos Drummond de Andrade e Graciliano Ramos ambos com 70 citações.

O brasileiro vivo mais traduzido para o exterior é Paulo Coelho, que hoje mora na Suíça, mas incansavelmente continua a escrever. Seu livro “Alquimista”, em 2008, chegou ao Guinness Book como o livro mais traduzido no mundo, alcançando 69 idiomas.
Ainda para Guilherme, a literatura brasileira é “extremamente rica” e ter pessoas com referencias culturais ajuda na escolha do título: “Resenhas sobre ele [autor] e o quão conceituado ele é por pessoas que tenho como referência”, afirma. Entre os citados pelo estudante estão Euclides da Cunha e Lima Barreto.


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