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» » » » » Canetadas: Não se produzem onze mitos

Rogério Ceni foi apresentado no São Paulo com a imagem que ilustra esse texto. Pela primeira vez o maior jogador da história do clube iria ocupar outra posição além das través. As linhas seriam as da aérea técnica. Um limite nunca respeitado nas trinta e sete vezes que o ex goleiro ocupou o novo posto de trabalho. A despedida dos gramados em onze de dezembro de dois mil e quinze deixou os São Paulinos saudosos do maior goleiro que vestiu as cores do tri campeão mundial, recordista e artilheiro, como cantaram os fanáticos naquela noite e repetiram durante o todo o ano de dois mil e dezesseis a cada falta próxima da área ou em cada pênalti favorável. Não era mais suficiente olhar para o gol do São Paulo e ter a certeza de que a bola iria entrar na rede adversária. Rogério Ceni não estava mais presente para vencer os recordes que ele mesmo estabeleceu. Excursionava pela Europa se aprimorando para voltar ao seu amor indissoluvel, o seu vício frenético, a sua paixão descontrolada, o Morumbi. Ceni foi cruel e fechou todas as portas a qualquer outro. O dono da casa estava de volta. Ele se disse técnico. As arquibancadas disseram acreditar. Leco precisava se reeleger. Aceitou. Usou de cabo eleitoral. O mito estava de volta. Seu nome, sempre o primeiro nas escalações, agora seria o último. Era quem escalaria. Daria nome aos jogadores que vestiram a soberana camisa que ele tanto honrou. Começaria assim o novo trabalho e pautado em um antigo problema.
Rogério Ceni sempre foi conhecido pelo amor que demonstrou a camisa do São Paulo. A raça, a disciplina, a abertura de mão da vida pessoal pelo sucesso nos noventa minutos em campo, foram pedidos iniciais do treinador a cada um da equipe. Certamente não foi atendido. Não se produzem onze mitos. Ceni, que trouxe auxiliares, um inglês e um francês, também quis implantar um nível de jogo tão alto quanto fora do nosso futebol.  Não foi possível. O ataque que iniciou marcando gols a lá carte, se fechou após sofre outros tantos. Os jogadores que Ceni orquestrou para o seu esquema tático, na vitoriosa Flórida Cup, foram saindo tanto quanto se passavam os dias. Quando poucos chegaram, ele sequer pode treina-los. As condições não eram favoráveis pela diretoria. Nada ajudou. Sequer as coletivas de Ceni, pautadas em sua habitual teimosia e auto confiança que o impedia de ver e admitir os seus próprios erros. O far-play de Rodrigo Caio causou em Ceni uma revolta de quem defendia o clube acima mesmo do ser humano. Cena repetida em Lucão que ofendeu a torcida. Que sempre defendeu Ceni. Não trairam a quem nunca os traiu. Ao contrário da diretoria.
Passou o mestre Telê Santana, o discípulo Muricy e agora Rogério Ceni se vai, ao menos enquanto os atuais mandatários estiverem a frente do clube do Morumbi. Acabou o escudo para Leco. A responsabilidade é inteira do contestado presidente. Ceni teve uma segunda-feira de saída diferente da última despedida na sexta-feira de Morumbi lotado. As luzes que clareavam o Morumbi quando Ceni deixou de ser jogador, não mais sequer estão sobre as trevas que desde dois mil e nove secam os grandes títulos do soberano. Mas o jogo é o mesmo daquele onze de dezembro. São Paulo contra São Paulo. Alivio para o mito. Não estará mais nos arredores de uma década que tende a se encerrar com a gestão de Leco e após enfim novos ares surgirão, onde o espaço para os ídolos se abrirão novamente. Um Rogério Ceni nasce apenas a cada ecatombe de bondade dos deuses do futebol. O mais do mesmo e de todos os mortais está de volta ao Morumbi. Mais uma vez e sempre obrigado M1TO!

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