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» » » » » » Canetadas: A volta de Sharapova pelo que quase sempre a favoreceu: a imagem

Depois de mais de um ano e meio sem disputar um Grand Slam por conta de sua suspensão por uso de Meldonium, substância proibida pela Agência Mundial Antidoping (Wada), a tenista russa Maria Sharapova está de volta. Estreou no Aberto dos Estados Unidos com vitória sobre Simona Halep, atual número dois do mundo, por 2 sets a 1, parciais de 6/4, 4/6 e 6/3. Na próxima fase, a jogadora enfrenta Tímea Babos, da Hungria, que venceu a suíça Viktorija Golubic, por 2 sets a 1, com parciais de 7/5, 5/7 e 7/5.
O fato é que Maria, que ainda não tem ranking para jogar grandes competições, foi beneficiada por um convite (wildcard) polêmico que recebeu do Grand Slam. Não à toa, a competição é alvo de inúmeras críticas de outras jogadoras. Roberta Vinci disse que Sharapova cometeu erros, pagou pelo que fez e pode voltar a jogar, mas que não concorda com convites especiais: “Não tenho nada contra ela, mas com a ajuda de dois ou três torneios, ela poderá estar no top 30 e não sei se isso é muito justo”. A alemã Angelique Kerber, definiu como ‘esquisito’ o fato da russa voltar a jogar dessa forma: “Ha outras jogadoras que deveriam receber o convite”. A canadense Eugenie Bouchard detonou o WTA por convidar Maria Sharapova para competir depois do doping. A finalista de Wimbledon em 2014 disse que a russa é trapaceira. “Eu não acho que um trapaceiro, em qualquer esporte, deveria ser autorizado a jogar num evento novamente. É tão injusto com todos os outros atletas que fazem o caminho certo e são verdadeiros”, disse Bouchard.
A discussão é polêmica, ainda mais quando envolve uma das figuras de marketing mais representativas da história do esporte. Que Maria atrai público e tem talento de sobra para jogar grandes torneios, todo mundo sabe. Resta saber se colocá-la de volta na ‘nata’ do tênis é, de fato, o caminho mais justo. Recuperar uma boa posição no ranking e retornar ao circuito pelo percurso natural, jogando challengers e futures, seria um ato de grandeza, de justiça e de exemplo daquela que busca se reerguer no esporte. Caso contrário, Maria voltará beneficiada pelo que (quase) sempre a favoreceu: a imagem. O caso de doping é uma boa oportunidade para mudança de padrões.

Foto: Elsa/Getty Images/AFP

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