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Porque a torcida do Barcelona vaia o hino da Champions no Camp Nou?

Canetadas: Torcedores protestaram contra a sanção da UEFA por conta de manifestação favorável à independência da Catalunha.

A torcida do Barcelona vaiou o hino da Champions League, como vem sendo costume aliás, nesta quarta-feira, durante a partida contra o Chelsea, pela segunda partida da fase de oitavas de final da competição. Mas porque acontece essa vaia? Na transmissão da TV Globo, o narrador Galvão Bueno dizia não entender as vaias, pois quem teria motivo para tais manifestações seriam os torcedores do PSG, que na visão do 'vendedor de emoções ', tinham motivos para se julgarem prejudicados pela arbitragem na partida contra o Real Madrid e assim o fizeram no Parque dos Principes, na segunda partida de oitavas de final, na semana passada. Logo, alguém lhe soprou o verdadeiro motivo é ele despistou, citando a causa, mas seguindo a transmissão da jornada esportiva. Pois o motivo era a Catalunha.
Os torcedores que estiveram presentes no Camp Nou deixaram clara a sua insatisfação com decisões da UEFA de punir o clube, em diversas oportunidades em 30 mil euros, por conta de uma manifestação favorável à independência da Catalunha. A entidade acredita que o grande número de bandeiras do território, além de fitas ou flores amarelas portadas pelos presentes indica um protesto de cunho político, o que não é permitido. E além da vaia, os torcedores ainda entoam cânticos sobre a independência logo depois da cerimônia tradicional de abertura das partidas.
O conflito que era velado, na assembleia geral ordinária de sócios para apresentação de balanço da temporada 2014/15 virou guerra declarada. O então presidente do Barcelona Josep Maria Bartomeu, fez um discurso duro contra a punição da Uefa por causa das manifestações no Camp Nou pelo separatismo da Catalunha: "Chegou o momento de dizer basta. A sanção da Uefa atenta contra a liberdade de expressão dos sócios, é uma norma absurda e anacrônica nos tempos em que vivemos. Eles querem converter uma manifestação de sentimentos em uma manifestação política. A Uefa se meteu em uma briga sancionando algo que não é delito em nosso país. A "senyera" não está proibida em nenhum lugar - disse Bartomeu em seu discurso para os sócios do Barcelona. Nesta última semana, a Federação Inglesa de Futebol multou o técnico do Manchester City, Pep Guardiola, em R$ 90 mil pelo fato de ele usar seus compromissos no Campeonato Inglês um laço amarelo que simboliza a luta contra a prisão e o exílio de líderes da luta a favor da independência da Catalunha. “São as regras. Elas existem e são aplicadas. Aceito a decisão porque tenho que fazê-lo. Estou trabalhando neste país [Inglaterra] sob regras, mas isto não significa que eu esteja de acordo”, afirmou o treinador do City.
A Catalunha fica no nordeste da Espanha e sempre foi culturalmente independente, tendo um histórico desejo de ver reconhecida como uma nação. A decisão de se separar do país foi tomada um referendo ocorrido em 1º de outubro. Pouco mais de 2 milhões de pessoas (43% do eleitorado) votaram. De acordo com cálculo do próprio movimento, 90% dos votantes foram a favor da independência. A região tem 7,3 milhões de habitantes. A região tem um Parlamento próprio, uma bandeira e um líder, Carles Puigdemont, e sua própria polícia, a Mossos d'Esquadra. Também oferece serviços públicos, como saúde e escolas, além de ter "missões" no exterior - pequenas representações diplomáticas para promover seus produtos e buscar investimentos ao redor do mundo. Os separatistas argumentam que a área tem uma cultura própria e paga mais impostos proporcionalmente do que recebe em troca por meio de benefícios.

Foto: Getty Images

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