Notícias

Clubes e CBF transformam Brasileirão em um produto “quanto pior melhor”


A cada temporada que passa o futebol brasileiro fica mais apagado, menos atrativo e desvalorizado. Os clubes através de seus dirigentes e treinadores contribuem apenas para o esvaziamento do campeonato brasileiro.


Embora não assumam publicamente, esse ano as chamadas copas estão na lista de prioridade dos times. Copa Libertadores e sobretudo a Copa do Brasil de 2018 viraram atrativos financeiros almejados por suas cotas enormes. Aliás, a monetização da Copa do Brasil foi a escolha da maioria dos supostos postulantes a conquista da liga que deveria ser a mais importante e que coroa o time mais regular, o Brasileirão. Ou devo chamar de Brasileirinho? Pois o que se tem visto são jogos cada vez mais modorrentos e em pleno mês de agosto, ou seja, faltando pouco mais de três meses para o fim do certame os times jogam com equipes mistas ou reservas.

A premiação recorde desta temporada da Copa do Brasil, em virtude de patrocínios maiores, foi uma “tentativa” da CBF de dar competitividade à Copa, porém o tiro saiu pela culatra. Por motivos óbvios, os já quebrados clubes brasileiros se interessam pela competição que paga mais. Nada de ilegal ou errado, mas se a entidade máxima do nosso pobre futebol tivesse real interesse de mudar ou valorizar o nosso produto futebol, de imediato alteraria esse calendário absurdo (não vou trazer isso à baila aqui).

Quem tem elenco para poupar os principais atletas, muito que bem. Os que não tem, e são a maioria, transformam uma partida do campeonato numa coisa horrível, difícil de assistir. Ainda mais num final de semana como esse, em que algumas ligas europeias começaram. A Premier League associada ao nosso desorganizado esporte bretão, se parece ainda mais com outro esporte.

E no final de tudo, se o time que poupa jogadores conquista uma copa ou outra, ouvimos de boa parte dos analistas que o planejamento deu certo, ou mesmo que foi bom. Como se o futebol do nosso país planejasse algo. Tudo aqui acontece por acaso, e em cima disso é que estamos sentados no pentacampeonato e não ganhamos nada e damos vexame desde 2002 com a seleção, que apenas é uma extensão do pobre futebol brasileiro. É a cultura do resultado, o desempenho que se dane.

Por fim, tendo a aceitar os que dizem: o futebol está ficando chato. Eu digo, o futebol brasileiro está ficando chato. Poupa-se jogadores da principal competição com a desculpa do cansaço, da fisiologia (que parece ser quem escala os times), dos exames (CK), que não dá para colocar força máxima quarta e sexta-feira e etc.

Evidentemente que o futebol hoje é mais físico, entendo e aceito isso. Mas descaracterizar uma equipe de um campeonato para outro, apenas no nível de jogadores da Europa isso é possível. Lá sim, com elencos mais equiparados e equilibrados, pode-se fazer essa mudança extrema entre torneios. Mas aqui não dá. Depreciou-se demais o nosso campeonato. 

O problema real é que hoje temos um calendário tão estrangulado no Brasil, que se força a rodar elencos, mas foram os comandantes do nosso futebol que transformaram o Brasileirão em campeonato de importância mínima. Haja visto o número de vagas que se distribui para Libertadores e ainda quando fracassam por lá, ainda vem disputar a agora cobiçada Copa do Brasil.

O pensamento dos dirigentes terminou por apequenar os clubes. Hoje se entra no Brasileiro não mais para se conquistar o título, e sim, uma vaga na Libertadores. E como fica o campeonato de 38 rodadas? Com “espetáculos” dignos de soníferos para elefantes. E a falta de planejamento é o que prevalece! Viva o nível técnico baixo do nosso futebol. “Quanto pior melhor”.  



Nenhum comentário